Excesso de poços artesianos ameaça causar desastres naturais em Brumado

31 Out 2017 - 09:00h

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Brumado teme as consequências do excesso de poços artesianos que são abertos no município. Segundo dados do setor, por causa da prática, o município está perdendo lençol freático, que é um reservatório de água presente nas partes subterrâneas da terra. Em entrevista ao site Achei Sudoeste, o secretário Charles Granger previu mudanças significativas no clima e no meio ambiente. Ele relatou que vêm recebendo várias queixas de poços artesianos públicos que se secaram em algumas comunidades rurais e em propriedades privadas. “Se continuar desse modo desenfreado e com os lençóis se secando o resultado será terrenos mais secos, afetando diretamente a vegetação e levando a morte precoce de árvores, plantas e flores”, alertou. O secretário ainda citou que a prática pode resultar no aumento de temperaturas, tempo mais seco e aparecimento de mais rachaduras e buracos causados pela erosão do solo, principalmente nas áreas urbanas, o que pode provocar até desabamentos de prédios. 

A recuperação do volume nos lençóis freáticos depende das chuvas, porém, nos últimos anos, tem sido registrada menos precipitação na região. Diante disso, há uma menor recuperação dos aquíferos, levando ainda em consideração a retirada de água dos mesmos. A previsão, embora pareça drástica, serve de alerta, pois em diversas partes do planeta já foram registradas catástrofes naturais por conta dos excessos praticados pelo homem. Cientistas apontam que o esvaziamento do lençol freático na região pode ter sido a principal causa dos abalos sísmicos de magnitude 5,1 na cidade de Lorca, na Espanha, sugerindo que as atividades humanas ao longo de décadas teriam causado alterações na crosta terrestre. A secretaria de recursos hídricos não possui dados precisos do número de poços artesianos abertos em Brumado, mas estima-se que o número pode chegar a mil. Desse montante, menos de 10% foram autorizados diretamente pela prefeitura para abastecer as comunidades rurais e prédios públicos - os demais estão em propriedades particulares que foram autorizados pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) para atender a irrigação de lavouras no meio rural.

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