
O apoio de ACM Neto (União Brasil) a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026 aumentou o desafio do ex-prefeito de Salvador para ampliar a força da oposição ao PT na Bahia, estado que é governado pelo Partido dos Trabalhadores há 20 anos.
É o que apontam cientistas políticos após análise do resultado da votação e do cenário no estado, com as reeleições de Jerônimo Rodrigues (PT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que manteve larga vantagem com o eleitorado baiano.
Mesmo com o aceno de Neto, que tinha se mantido neutro no primeiro turno, Flávio Bolsonaro não teve ganhos eleitorais relevantes nem em nível estadual e nem nas cidades onde já havia vencido. Ele conquistou apenas 166.176 votos a mais, um avanço de 28,53% para 28,69% entre um turno e outro. Lula, por outro lado, conquistou mais 820.487 votos, saltando de 66,17% para 71,31% dos votos válidos no 2º turno.
O primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) só conseguiu superar o petista em quatro dos 417 municípios baianos nos dois turnos: Buerarema, Itamaraju, Teixeira de Freitas e Luís Eduardo Magalhães.
“Ao apoiar o adversário direto de Lula, ele [ACM Neto] reforça a imagem de antilulista que vinha tentando evitar. A reputação de um político se forma com sinais acumulados, e esse é um sinal forte, difícil de apagar até 2030”, destacou, em entrevista ao G1, o cientista político Ariel Calmon, coordenador de Análise Política Subnacional da BMJ.