
Teimosamente ainda insisto em pensar que aquilo que é finito para um entendimento racional é infinito para o meu coração, ou seja, ainda não entendi por que o Zuú se foi. Particularmente, me sinto impotente por não conseguir entender, também, que somos passageiros desta vida, e que lá em cima teremos a morada eterna. Assim, as alegrias e as tristezas entram e saem de nossas vidas como personagens. Hoje me lembrei do que disse Manuel Bandeira, quando ele ficou sabendo da morte de seu amigo Mário de Andrade. Ele disse assim: anunciaram que você morreu. Meus olhos, meus ouvidos testemunham. Mas a alma profunda, não. Porque para mim ele foi contar a história do Cinema para Deus. Mas é sempre assim, no início nós não entendemos que o tempo de Deus não é o nosso tempo, que só na casa do Pai teremos a morada eterna, como nos ensinou Santa Teresinha quando disse “não morro, entro para a vida”. Mas, quem foi Zuzú? Respondo com a maior tranquilidade: um ser humano que não tinha nem tempo para dormir, pois era na imensidão da noite que recarregava suas energias para durante o dia levar sua força para aquelas pessoas que precisavam. Ajudar ao próximo era o seu dever de casa, coisa que ela fazia com a maior maestria. Por isso perdemos o convívio de um grande amigo, mas ganhamos a referência de um ser humano que criava um tempo para os amigos, para lhes dizer o quanto os amavam. Então, a partir de agora temos nossas vidas mais entristecidas, porém orgulhosos de termos tido o privilégio de sua companhia.