
O resultado das Eleições 2026 em Brumado desenhou um novo mapa de forças e redefiniu o peso dos grupos políticos tradicionais na capital do minério. O maior impacto, no entanto, ficou por conta do declínio expressivo de Eduardo Lima Vasconcelos, político que governou o município por quatro mandatos e figura central na política local pelas últimas duas décadas. Após deixar o comando do Executivo municipal em 31 de dezembro de 2024, o ex-prefeito viu seu histórico prestígio eleitoral sucumbir no recente pleito, revelando um desgaste que se consolidou a partir das movimentações da última eleição municipal.
Dono de um legado administrativo incontestável, marcado por posições firmes e pela capacidade de governar por diversas vezes em oposição ao Governo do Estado — especialmente em seus dois últimos mandatos, de 2017 a 2024 —, Eduardo construiu uma trajetória de contornos marcantes. Eleito pela primeira vez em 2004 pelo Partido Liberal (PL), ele contava com o apoio irrestrito do grupo carlista, liderado na época pelo ex-governador Paulo Souto e pelo senador Antônio Carlos Magalhães. Ao assumir em 2005, manteve essa sustentação até a ascensão de Jaques Wagner ao governo baiano. Para garantir sua reeleição em 2008 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), reposicionou-se estrategicamente no cenário estadual e venceu a então deputada Marizete Pereira, esposa do ex-vice-governador Edmundo Pereira Santos, a quem derrotaria em disputas memoráveis.

Ao longo de sua ascensão, Vasconcelos ocupou a vice-presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB) e integrou como candidato a vice-governador a chapa de Lídice da Mata nas Eleições de 2014, pleito no qual não obteve êxito. O auge de seu capital político veio em 2016, quando retornou à prefeitura com uma votação consagradora de 69,17% dos votos válidos (22.370 votos), impondo uma frente histórica de 12.681 votos sobre o médico Alessandro Lôbo e consolidando-se como o gestor mais bem votado da história brumadense.
O divisor de águas para a perda dessa hegemonia ocorreu na sucessão de 2024. Embora não tenha declarado voto publicamente a nenhum candidato, a base política de Eduardo, seus seguidores mais fiéis e integrantes do alto escalão de sua gestão migraram para o apoio ao advogado Guilherme Bonfim, cuja campanha saiu derrotada das urnas. Essa "doação" de votos não declarada e o endosso velado fragmentaram seu eleitorado e minaram a coesão de seu grupo.

O impacto direto dessa estratégia refletiu-se de forma avassaladora nas urnas em 2026. O ex-prefeito iniciou o pleito de 2026 com todo o gás indo ao comércio local, conversando com transeuntes nas ruas, indo a comunidades rurais, mas na reta final ele se limitou apenas à gravação de vídeos nas redes sociais. Durante a sua andança, muitos de seus liderados falavam com muito entusiasmo de uma “volta” para a disputa majoritária em 2028, mas o resultado das urnas não revelou esse sentimento dito por seus principais interlocutores.
Desprovido do vigor político de outrora, o ex-prefeito viu seus aliados amargarem desempenhos inexpressivos no município, transferindo apenas 1.261 votos para Wagner Alves na disputa para deputado estadual e modestos 561 votos para o deputado federal reeleito Diego Coronel. O esvaziamento também afetou as majoritárias apoiadas por seu núcleo, que registraram votações abaixo do esperado na cidade para nomes como ACM Neto ao governo da Bahia, além de Ângelo Coronel e João Roma na disputa ao Senado Federal.
A atual campanha pode ter selado o fim de sua trajetória política, restando-lhe apenas as memórias do seu recente passado. Agregado a isso, o peso da idade talvez não lhe permita mais disputar o pleito em 2028, embora ele mesmo tenha dito que viverá mais de 130 anos para assistir ao fim do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Vou viver mais de 130 anos pra assistir o fim de Lula”.