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21/Jul/2013 - 11h11

Mandela vive: viva Madiba!

Luiz Frederico Rêgo (Fredinho) *


No último 24 de junho, ao acompanhar as notícias sobre o estado de saúde do primeiro negro Presidente sul-africano, me lembrei da canção “Mandela Day”, composta em 1988 pela banda escocesa Simple Minds, que se apresentava em turnês no fim da década de 80 promovendo o trabalho da Anistia Internacional e combatendo o regime do apartheid na África do Sul. Nelson Mandela ainda estava preso quando a música havia sido composta, pois sua pena só foi revogada em 1990, como consequência da abertura política que levou ao fim do regime racista.

 

Nesta quinta-feira, Mandela completa 95 anos, internado num hospital de Pretória, onde se encontra desde 22 de junho. Em 2010, a ONU instituiu na data de seu aniversário, 18 de julho, o Dia Internacional em homenagem ao herói da luta anti-apartheid. Assim, o “Mandela Day” retoma uma idéia nascida na África do Sul e que remonta a uma das músicas que é símbolo do ativismo político do final da década de 80. Também nesta data, as Nações Unidas convocam cada cidadão do mundo a dedicar simbolicamente 67 minutos de seu tempo a serviço da coletividade, porque foram esses os anos que o líder sul-africano dedicou à causa pública e à luta pelos Direitos Humanos.


Nascido em 1918, filho de um chefe tribal da casa real do Trankskei, Nelson Rolihlahla Mandela formou-se em Letras e Direito em 1942. Junto a Oliver Tambo, inaugurou o primeiro escritório advocatício negro do país, descobrindo, mas lides jurídicas, que a Justiça pendia para os brancos e as leis eram parcialmente aplicadas, sob o prisma do sistema racista oficializado a partir de 1948. Por combater a política racista do apartheid, foi condenado, em 1962, a cinco anos de prisão. Em 1964, no cárcere, é condenado à prisão perpétua.


Após passar 28 anos numa prisão – fora enviado para a Ilha de Robben, onde ocupou a cela com o número 466/64, com as dimensões de 2,5 por 2,1 metros – e de se tornar um dos presos políticos mais famosos do mundo, Nelson Mandela elegeu-se, em 1994, o primeiro presidente negro da África do Sul. Sobre lhe faltar experiência política e de comando, ironizou: “no meu país, primeiro vamos para a prisão e depois nos tornamos Presidente”. Fora do cárcere, adotou uma postura conciliatória em seus discursos, em substituição aos discursos inflamados dos primórdios da luta. Com isto, demonstrou postura de estadista, antes mesmo de chefiar a Nação.


No cinema, a vida do admirado líder foi retratada em diversos filmes, sendo interpretado por um elenco de astros: Danny Glover, Sidney Poitier, Dennis Haysbert, Terence Howard e Morgan Freeman – este último no filme “Invictus”, dirigido por Clint Eastwood e que concorreu ao Oscar de melhor ator e ator coadjuvante. O próximo a interpretar Mandela nas telas é o britânico Idris Elba, no filme “Longo caminho para a Liberdade”, com estréia prevista para 2014.


É triste que Mandela passe esse aniversário de 95 anos em estado de enfermidade. Seu exemplo de grande estatura moral, contudo, extrapola os aposentos do hospital em Pretória, assim como não ficou contido no cubículo de 5m² na prisão da Ilha de Robben. Conciso, o diplomata líbio Ali Abdessalam Treki, ex-Presidente da Assembleia Geral da ONU, asseverou ser Mandela “um dos maiores líderes morais e políticos de nosso tempo”. Também feliz em definir Mandela, em postagem que li no Facebook, feita por Maris Stella Schiavo Novaes: “Um dos mais lindos referenciais humanos do Século XX”.


Por ora, celebramos este dia 18 de julho com Mandela entre nós. Fico a pensar, numa época em que imperam as incertezas e a intolerância tem sido uma crescente, e já não tendo entre nós gigantes morais como Gandhi e Luther King: o que será do mundo quando não tivermos neste plano físico o referencial representado por Nelson Mandela? Certamente, é o último herói do nosso tempo, engajado na mais justa luta depois do combate ao fascismo, e nos fará uma falta tremenda, sobretudo diante do ceticismo de que a Humanidade possa produzir, nas próximas décadas, um outro Mandela. Resta-nos apresentar nossos sinceros respeitos e eterna gratidão a um exemplo raro de ser humano, que tem honrado sua existência com dignidade, altruísmo, coragem e tolerância. Que permaneça vivo, hoje e sempre, seu exemplo de luta. Viva Madiba! 
 

Luiz Frederico Rêgo (Fredinho), é Bacharel em Direito pela UESB e Serventuário da Justiça. É também Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores (PT) de Brumado.

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