
A prefeita de Livramento de Nossa Senhora, Joanina Batista Silva Morais Sampaio, utilizou a tribuna da Câmara de Vereadores nesta sexta-feira (10) para apresentar um levantamento detalhado sobre a situação financeira do município. Em um discurso incisivo, a gestora revelou que a administração municipal carrega um endividamento acumulado de R$ 184.771.623,98, valor que atribuiu a erros e omissões de gestões passadas. Além do montante principal, a prefeita destacou um débito de R$ 6,1 milhões referente ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep).
Durante a sessão, Joanina rebateu críticas sobre sua capacidade administrativa e justificou a exposição dos números como uma resposta necessária à população. “Jamais eu iria aceitar as críticas que vejo dizendo que Joanina não tem competência para administrar o município. Hoje chegou a hora do município saber o porquê”, disparou. Para efeito de comparação, a gestora pontuou que, em 2016, a dívida da cidade era de R$ 68,9 milhões, menos da metade do valor atual, ressaltando que a diferença financeira seria suficiente para que qualquer prefeito deixasse um legado significativo na cidade.
O impacto desse passivo no caixa atual é severo: a prefeitura desembolsa mensalmente R$ 2,6 milhões apenas para quitar parcelas de débitos herdados. Segundo Joanina, somente no mês de outubro, foi necessário retirar R$ 1,19 milhão dos cofres públicos para pagar contas de governos anteriores, o que, em sua visão, compromete o ritmo de investimentos. A prefeita classificou como “vergonhoso” o fato de grande parte da dívida ser composta por impostos e contribuições ao INSS que deveriam ter sido recolhidos regularmente e não foram.
A prestação de contas ocorre em um momento estratégico, enquanto a Câmara de Vereadores analisa um pedido de empréstimo de até R$ 100 milhões solicitado pelo Executivo. Para contrapor os dados negativos do orçamento, a prefeita aproveitou para destacar os avanços na área da saúde, informando que a rede municipal agora conta com 11 especialidades médicas e que o investimento no setor para o ano está projetado em R$ 21,9 milhões.