Achei Sudoeste
Publicado em: 07 Nov 2026 / Há 3 horas
Autor: Redação - Achei Sudoeste

Em três dias, Santiago Peña sai da presidência do Paraguai para a prisão

Foto: Reprodução

O Congresso do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña, encerrando de forma precoce um mandato iniciado em agosto de 2023. Poucas horas após a decisão unânime do Senado, o Ministério Público paraguaio expediu uma ordem de prisão contra o agora ex-mandatário. Peña foi notificado e permanecerá em prisão domiciliar até se apresentar formalmente aos promotores na manhã deste sábado. O vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu o comando do país em meio a protestos nas ruas, após ter seu próprio pedido de destituição rejeitado pelos parlamentares.

A derrocada do líder colorado decorre de um escândalo financeiro que abalou a economia paraguaia ao longo da semana: o colapso do Ueno Bank, maior banco digital da nação, com cerca de 2,9 milhões de correntistas em uma população de aproximadamente 7 milhões de habitantes. Na última terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai interveio e iniciou a liquidação da instituição após constatar a falta de fundos para honrar pagamentos, provocada por empréstimos concedidos a firmas ligadas ao próprio grupo empresarial. O congelamento em massa de depósitos desencadeou manifestações populares e colocou Peña no centro da crise por sua ligação como ex-investidor da holding e por ter indicado o então chefe do banco, Carlos Carvallo Spalding, para a presidência da autoridade monetária — cargo do qual Carvallo renunciou dias antes da votação.

O novo chefe de Estado, Pedro Alliana, de 52 anos, é um veterano do Partido Colorado, sigla que detém a hegemonia política no Paraguai há quase sete décadas com apenas uma interrupção pontual em 2012. Ex-atleta da seleção de basquete, ex-deputado e ex-governador de Ñeembucu, Alliana já despontava como o nome articulado para as eleições de 2028 com o apoio conjunto de Peña e do ex-presidente Horacio Cartes. Ele toma posse sob pressão popular e com o desafio de restaurar a estabilidade institucional após Peña se tornar o terceiro governante a ser deposto antes do fim regular do mandato desde a queda da ditadura de Alfredo Stroessner.

Paralelamente ao desenrolar político, o Banco Central paraguaio deu início à devolução dos recursos retidos no Ueno Bank por meio do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD). A liberação inicial atende clientes que mantinham saldos de até cerca de R$ 8,9 mil, estavam sem dívidas ativas com o banco e possuíam vínculo ativo em outra instituição financeira do sistema bancário local. De acordo com os órgãos reguladores, novos cronogramas de ressarcimento serão divulgados gradualmente para atender as demais faixas de correntistas afetados pela liquidação.