
Em outros estados, onde a Petrobras vende combustíveis diretamente, os preços dos combustíveis permanecem praticamente estáveis desde o início do ano. Essa diferença tem provocado distorções no mercado nacional e reduz a competitividade da Bahia.
O cenário também preocupa pelo impacto na arrecadação estadual. Os combustíveis estão entre as principais fontes de receita da Bahia, com destaque para o diesel. Além disso, custos mais altos com combustível acabam sendo repassados ao longo da cadeia produtiva, pressionando preços de transporte, alimentos e outros produtos. A redução nas vendas também pode afetar a sustentabilidade econômica dos postos de combustíveis, com reflexos na manutenção de empregos e risco de perda de postos de trabalho no setor.
Na Bahia, o impacto tem sido mais direto devido à política de preços da Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe.
Em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, Marcelo Travassos, secretário executivo do Sindicombustíveis/Ba, alertou para os efeitos da atual conjuntura internacional sobre a economia do estado, com risco de perda de competitividade, aumento de custos e pressão sobre os preços ao consumidor final. “Não tem como a Acelen ter uma perspectiva de concorrência com a Petrobrás. Isso termina em uma cadeia muito danosa para a nossa economia”, explicou.
Segundo Travassos, os aumentos foram bastante representativos e a situação é muito delicada para os postos revendedores de combustíveis. Os reflexos irão afetar diretamente a economia baiana e, a longo prazo, poderão causar a perda de postos de trabalho. “Estamos muito preocupados com a saúde financeira dos nossos representados e com as consequências para o povo baiano”, completou.
Hoje, o litro da gasolina está sendo vendido a R$ 7 na Bahia. Até o final da semana, o secretário executivo adiantou que esse valor pode aumentar. Ele justificou que a Acelen costuma acompanhar o preço do mercado internacional e há informações de que o preço da gasolina será reajustado em mais 0,15 centavos. Na quinta-feira (12), uma nova atualização de preço deverá ser anunciada.
Apesar do cenário desfavorável, Travassos disse que não é momento de pânico e nem de estocar combustível. “Temos alternativas de políticas governamentais para diminuir esse impacto dos preços internacionais na nossa economia”, assegurou.