Achei Sudoeste
Publicado em: 19 Abr 2026 / Há 3 horas
Autor: Redação - Achei Sudoeste

Ibipitanga: Motorista do TFD desabafa após ser punido por não deixar paciente sem exame

Foto: WhatsApp/Achei Sudoeste

Um ato de solidariedade terminou em desabafo e denúncia de humilhação pública no município de Ibipitanga. O motorista Lourival Messias de Pina, mais conhecido como Val, denunciou neste sábado (18), estar sendo alvo de perseguição e prestes a perder o emprego na prefeitura local após priorizar o atendimento a um paciente debilitado. Funcionário do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), Val relatou que a crise começou quando decidiu buscar um paciente em uma zona rural de difícil acesso, enfrentando as rígidas e, segundo ele, controversas normas da gestão municipal.

Segundo informou o motorista ao site Achei Sudoeste, a prefeitura proíbe que os veículos oficiais trafeguem em estradas de terra. Ciente da vulnerabilidade do paciente, que não possuía recursos para se deslocar até a sede da cidade e corria o risco de perder um exame agendado, Val tentou realizar o trajeto com seu próprio veículo particular. No entanto, o carro pessoal apresentou defeito mecânico durante o percurso. Diante da urgência do quadro clínico e da impossibilidade de deixar o cidadão desassistido, o motorista retornou, pegou o veículo da frota municipal e percorreu os 13 quilômetros de estrada vicinal para garantir o transporte.

A decisão humanitária, contudo, foi recebida com repressão pela supervisão da pasta. Val afirma que passou a receber ligações com tons de humilhação enquanto ainda estava no trânsito, sendo repreendido severamente na presença dos próprios pacientes. O motorista relata que o supervisor, alegando ordens diretas do prefeito, determinou seu afastamento imediato, ordenando que ele se apresentasse apenas na próxima quarta-feira (22) para formalizar sua demissão. A situação escalou quando emissários foram enviados à sua residência para recolher as chaves do veículo de trabalho, gesto que o funcionário classificou como o ápice de uma série de constrangimentos públicos.

Pai de dois filhos adolescentes, de 12 e 13 anos, Val expressou profundo temor pelo futuro da família e indignação com o tratamento recebido após anos de serviço prestado à máquina pública. Conhecido entre os usuários do sistema de saúde pela presteza e pelo cuidado com os enfermos, o motorista lamenta que o zelo pelo próximo tenha sido o motivo de sua queda. Enquanto aguarda um posicionamento oficial da administração municipal de Ibipitanga, o caso ganha repercussão nas redes sociais, levantando o debate sobre os limites da burocracia administrativa frente às necessidades básicas de saúde da população carente.