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Andaraí: PM nega denúncia de família que acusa sargento de espancar homem deficiente

07 Mar 2020 - 06:00h

Um homem de 27 anos, portador de deficiência, acusa policiais militares de Andaraí, na região da Chapada Diamantina, de agressão. Há cerca de um mês, no dia 07 de fevereiro, Iago Oliveira Freire foi até a 42ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Lençóis) registrar a queixa contra um sargento. A Polícia Militar nega o caso. De acordo com o depoimento presente no Termo de Declaração, Freire conta que estava na oficina do pai, por volta das 9h, quando o agente pediu que ele o acompanhasse com seu próprio veículo até a delegacia. No local de destino, o sargento teria o interrogado com mentiras até que ele foi liberado. Mais tarde, depois das 19h, o mesmo agente teria aparecido em sua casa, à paisana, acompanhado por uma guarnição da Cipe/Chapada, que teria arrombado o portão da residência de Freire e o obrigado a adentrar uma viatura, onde o espancaram. “Aí chegando lá, me espancaram e bateram, jogaram gás no presídio da viatura, bateram no fundo da viatura, gritando para eu falar. Deu três tiros para o alto, mandou sair e tirar a roupa”, detalhou Freire no documento, que foi enviado ao Bahia Notícias por uma amiga da família, que prefere não se identificar. Também repassado pela fonte, o receituário médico de Iago indica que ele sofreu um politrauma após o espancamento. Os exames foram feitos no dia 11 de fevereiro. Além disso, o rapaz é atestado como paciente “com desenvolvimento incompleto do funcionamento intelectual, caracterizado por um comprometimento das faculdades mentais que determinam o nível global de inteligência, isto é, das funções cognitivas de linguagem da motricidade e do comportamento social”. As agressões que ele sofreu no último mês também foram denunciadas por Daniela Freire, irmã de Iago, de 26 anos. Em seu depoimento, ela relata outros detalhes sobre a abordagem. “Uma guarnição da Cipe/ Chapada levou meu irmão para fora de casa, começou a fazer algumas perguntas. (...) Ele e os outros três entraram em casa, revistando a casa toda e quando eu ia sair pediram para eu voltar, com palavrões, e disse que de pequeno, grávida, todos iriam caiu no pau. Então, eles foram em outra casa, que é de minha vó, de 90 anos, e revistaram também e bagunçaram. Disseram que ela tinha idade e aguentava”, conta.

Diante dessas informações, o BN procurou o pai de Iago, o mecânico Vilson Freire, que confirmou o depoimento dos filhos. Segundo ele, um terceiro filho seu está foragido da Justiça, acusado de tráfico de drogas, mas os agentes perseguem Iago, que não tem envolvimento nos delitos. Ele destaca, inclusive, que não foi a primeira vez que agrediram o rapaz. Em outra ocasião, ele foi chutado e enforcado. “Eles batem na pessoa e dizem assim: 'podem me denunciar'”, relata Vilson. Com as agressões recentes, que provocaram o politraumatismo, o pai disse que Iago “não teve mais saúde”. “Ele já tomava gardenal, agora toma remédio mais forte. Está assombrado, de noite não dorme”, pontua. De dia, a situação também não é boa. Machucado, Iago não consegue trabalhar e está com medo, além de sentir vergonha pelos ferimentos visíveis. Por conta disso, o rapaz fez novos exames, cujos resultados devem estar prontos na próxima semana. Enquanto isso, a família aguarda os desdobramentos da queixa registrada na 42ª CIPM/ Lençóis e da representação feita na Promotoria de Andaraí. Mas as supostas ameaças de alguns agentes da PM de Andaraí ainda o preocupam. "Eles passam na porta, devagarzinho, como se tivesse amedrontando. Aqui as pessoas têm muito medo", frisa Vilson. A assessoria da Polícia Militar, baseada em Salvador, respondeu que a denúncia é improcedente. Em nota, a corporação diz que “assim que o comando da 42ª CIPM tomou conhecimento do fato enviou o comandante do Pelotão de Andaraí para proceder com a oitiva na casa da família do suposto agredido, que por sua vez estava mobilizada a formular denúncia junto à imprensa”, diz a corporação no texto. A assessoria apontou ainda que, segundo o comando da região, “o cidadão não possuía à época nenhuma lesão em decorrência da ação do ingresso da guarnição da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Chapada, com o apoio de policiais militares da 42ª CIPM, que se encontrava em cumprimento ao mandado de prisão expedido pela justiça em desfavor do irmão do agredido”.   “Para que não suscite dúvida, os termos foram recepcionados pelo comando da unidade, que instaurou uma sindicância para apuração dos fatos. Reiteramos que não há nenhum registro queixoso contra o comandante de Andaraí”, completa a nota.