
Por meio do Ministério dos Transportes, o Governo Federal propôs desobrigar a formação em autoescola para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A proposta, que está em consulta pública, visa reduzir o custo da CNH, democratizar o acesso e reduzir a burocracia.
Em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, José Wellington Oliveira, presidente do Sindicato das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores (Sindauto), vê a proposta com muita preocupação. Quando se fala em educação para o trânsito e vidas, temos que nos preocupar muito com os impactos dessa mudança. Deixar de preparar o cidadão para estar em rodovias e no trânsito urbano é muito preocupante, avaliou.
Oliveira destacou que há 28 anos, quando o Código Brasileiro de Trânsito (CBT) foi instituído, as autoescolas fazem o papel de instruir e formar os condutores para atuar defensivamente no trânsito. Mesmo com a obrigação de formação em autoescola para obter CNH, o Brasil possui alto índice de acidentes de trânsito. Se essa desobrigação for aprovada, como isso vai funcionar? É colocar em risco vidas que não têm preço, argumentou.
O presidente do Sindauto entende que o processo de habilitação é caro, tendo em vista a estrutura gigantesca imposta pelo próprio Estado para funcionamento dos centros de formação. Ele acredita que esse custo poderia ser muito mais barato se fosse feita uma desoneração do segmento. A gente vem há dois anos e meio tentando discutir com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatarn) uma proposta de redução. Para as autoescolas também seria melhor se os valores fossem menores, haveria mais clientes. Precarizar nunca vai ser a solução, defendeu.
Hoje, na Bahia, existem 506 autoescolas ativas, gerando mais de 10 mil empregos diretos. Na hipótese de a proposta ser aprovada, Oliveira frisou que todas essas pessoas perderiam seus postos de trabalho. O impacto econômico, até a título de arrecadação em encargos, é terrível e extremamente nocivo e a população precisa entender isso. Haverá demissões em massa, mas pior do que isso é desobrigar a educação no trânsito, finalizou.