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Eleições 2026: Cenário mais desafiador da era Lula para o PT e aliados no Nordeste
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O PT chega a 2026 enfrentando dificuldade em parte do Nordeste, considerado historicamente um “bastião da esquerda”. As informações são do Estadão.

Pesquisas recentes indicam vantagem da oposição em Estados-chave como Bahia, Maranhão e Ceará, enquanto, em outros, os palanques seguem marcados por indefinições, disputas internas e negociações abertas.

Em boa parte da região, a estratégia do partido depende do envolvimento direto do presidente Lula (PT), tanto para bater o martelo sobre alianças quanto para servir como cabo eleitoral de candidaturas que hoje aparecem atrás nas pesquisas, caso do Rio Grande do Norte, por exemplo.

Em termos de candidaturas majoritárias aos Executivos estaduais, a esquerda corre o risco de perder uma parcela significativa do poder territorial acumulado nas últimas décadas. Levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da UnB, indica que, mantido o cenário apontado pelas sondagens mais recentes, a esquerda pode registrar, em 2026, seu pior desempenho nas eleições para governador no Nordeste desde a chegada de Lula ao Planalto, em 2002.

Siglas de centro e centro-direita, como MDB, PSD e União Brasil, lideram as intenções de voto na maior parte dos Estados — ainda que, em muitos deles, integrem alianças com partidos da esquerda.

Medeiros afirma que, embora a região Nordeste continue sendo estratégica para Lula, já não funciona como um reduto automático.

“O voto nordestino tornou-se mais volátil, urbano e pragmático, sensível a temas como custo de vida, segurança pública e qualidade dos serviços públicos”, diz Medeiros, citando a perda de capilaridade territorial do campo nos últimos pleitos. “Em 2018, partidos do campo progressista governavam estados que concentravam cerca de 90% do eleitorado nordestino. Esse percentual caiu para 74% em 2022 e agora pode recuar para algo próximo de 23%.”

Vitor Sandes, cientista político e professor da Universidade Federal do Piauí, adota um tom menos pessimista. Para ele, embora o PT corra riscos, a força da máquina federal — e também da máquina estadual, nos casos em que governadores petistas disputam a reeleição — e o voto casado com Lula tendem a reverter o cenário desfavorável das pesquisas.

“O PT corre alguns riscos no Nordeste, como no Maranhão e no Ceará, este último onde há um fato novo, que é Ciro Gomes. Também há desafios, sobretudo diante do movimento que o PSD fez ao lançar três pré-candidatos à Presidência, embora exista certa flexibilidade nos Estados”, avalia o especialista. “O mais importante para o partido é manter uma votação expressiva a Lula na região e garantir palanques fortes, mesmo que ele não saia com cabeça de chapa”, completa.

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