Anticoncepcional muda estrutura cerebral das mulheres, diz pesquisa

05 Dez 2019 - 14:30h

Para muitas mulheres, o uso da pílula anticoncepcional faz parte da rotina. E, por causa disso, muitas dúvidas podem surgir a respeitos dos seus efeitos no corpo feminino, como alterações de humor e queda na libido. Novo estudo apresentado esta semana pode ter encontrado uma explicação: a pílula altera a estrutura do cérebro das mulheres. De acordo com a pesquisa, mulheres que utilizam contraceptivos orais têm o hipotálamo menor em comparação com aquelas que não o fazem. Os pesquisadores constataram que essa região do cérebro, responsável por regular apetite, emoções e até mesmo a libido, foi reduzida cerca de 6% nessas mulheres. “Para uma região do cérebro, essa é uma diferença considerável”, comentou Michael Lipton, da Faculdade de Medicina Albert Einstein, nos Estados Unidos, ao Live Science. A equipe ainda descobriu que um hipotálamo reduzido pode estar associado ao aumento dos níveis de raiva e sintomas depressivos. Uma das explicações para esse fenômeno é o fato de que o hipotálamo produz hormônios que regulam o sistema endócrino do corpo e, portanto, ao tomar a pílula, essa parte do cérebro recebe a informação de que não precisa produzir hormônios sexuais. Estudos anteriores mostraram que esses hormônios promovem o crescimento dos neurônios, ou seja, sem eles, essa função pode ficar prejudicada, provocando redução no tamanho do hipotálamo. Os resultados são relevantes já que, segundo a Organização da Nações Unidas (ONU), cerca de 150 milhões de mulheres fazem uso de contraceptivos orais em todo o mundo. Apesar disso, os cientistas alertam que não há motivos para preocupações, nem para interromper o uso da pílula, já que essa alteração cerebral não afeta todo o cérebro nem prejudica funções mentais importantes. “Esses resultados não são para alarmar. Eles podem simplesmente apontar para uma questão que merece mais pesquisas”, acrescentou Lipton.  Esse é o primeiro estudo a avaliar os efeitos da pílula no hipotálamo. As novas descobertas foram apresentadas na última quarta-feira durante a reunião anual da Sociedade Radiológica da América do Norte.

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