Psicóloga Roberta Assis fala sobre 'aquele aperto no peito'

13 Ago 2018 - 16:30h

Muitos pacientes chegam ao consultório se queixando de um certo “aperto no peito”. Na verdade, esse aperto muitas vezes recebe outras explicações, como “um gelo”, “um bolo” ou “um nó na garganta”. Enfim, são muitas as tentativas de nomear e localizar algo que não se sabe o que é, mas que incomoda, traz sofrimento, tira o sono e inviabiliza a vida. Da ordem da angústia, esse aperto no peito passa a ser ressignificado à medida em que o paciente fala. Não é nenhuma novidade dizer aqui que a fala tem um caráter terapêutico, entretanto, há uma diferença em onde se fala e para quem se fala, e, principalmente, de que lugar se fala, me refiro a uma posição de sujeito.

O setting terapêutico (como também chamamos o consultório psicológico) é um lugar onde o paciente fala e encontra uma escuta livre de preconceitos, julgamentos e de verdades pré-estabelecidas, de modo que ali ele pode construir a sua verdade baseado na ética do seu desejo.

É no processo de análise ou psicoterapia que esse aperto no peito encontra alívio, vai se desfazendo, dando lugar a outros sentimentos. Podemos dizer que a angústia, que é um sentimento complexo e difícil de explicar, vai sendo nomeada e o paciente vai encontrando novos caminhos para ela. Levando-o a se apropriar de sua vida, de maneira a viver mais plenamente, agora, com a capacidade de se responsabilizar verdadeiramente por aquilo que sente e a possibilidade de modificar o que incomoda e faz sintoma.

Nesse sentido, ressignificar a angústia através de um processo terapêutico requer coragem e vontade de enfrentar o desconhecido, aquilo que habita em nós mesmos e muitas vezes tentamos localizar no outro.

Vale lembrar que esse percurso é subjetivo e é feito no tempo de cada um, mas, quando encarado com seriedade e consciência proporciona uma liberdade nunca sentida. E o papel da psicologia é ajudar na condução dessa busca. Cada vez mais acessíveis, os profissionais de psicologia dispõem de uma escuta ativa, acolhedora e capaz de possibilitar esse percurso.

Portanto, sempre que for necessário, não hesite em buscar ajuda psicológica. Como sabemos quando é necessário? Quando não sabemos o que fazer com o que estamos sentindo.

Roberta Assis

Psicóloga

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