Baiano, pesquisador de vacina brasileira da Covid-19, lutou contra a pobreza e ficou 5 anos sem estudar

29 Mar 2021 - 10:30h

Aos 39 anos, o imunologista Gustavo Cabral de Miranda é coordenador de uma das pesquisas para desenvolver uma vacina brasileira contra a Covid. Mas a estrada até onde ele chegou foi tortuosa e cheia de desafios. Ao Globo Repórter, o pesquisador contou a história de superação e de resiliência de sua vida. Nascido em um pequeno povoado chamado Creguenhem, na cidade de Tucano, interior da Bahia, ele travou uma guerra contra a pobreza para conseguir chegar até a universidade. “Minha compreensão de morar em Creguenhem era ir para roça, ir para escola por obrigação. Não tem a cultura de qual a importância do estudo. Aos 7 anos, eu estava vendendo geladinho. Sempre fui muito hábil para sobreviver. Uma parte eu ajudava em casa, uma parte tirava e juntava, tirava e comprava uma galinha. Vendi as galinhas, comprei um porco. Depois vendi os porcos, comprei uma vaca”, relembra. Terceiro de quatro irmãos, Gustavo saiu de casa aos 15 anos e foi trabalhar em um açougue em Euclides da Cunha. Ganhou dinheiro, mas aos 20 decidiu retornar para a casa dos pais e voltar a estudar, quando passou a observar “as pessoas estudadas” e o que elas tinham. Ele fez faculdade na Uneb, em Senhor do Bonfim, depois mestrado em Salvador, doutorado na USP (São Paulo) e não parou mais. Já viajou como PHD para Portugal, Inglaterra e Suíça. “A gente não veio ao mundo perder a viagem. É muito trabalho para vir para cá. A gente tem que fazer alguma coisa que faz diferença nisso daqui. Minha personalidade não me permite baixar a cabeça. Vou dormir hoje chorando, mas no dia seguinte amanheço como um leão. Eu tenho que ir para guerra”, afirma.

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