Barulheiras da saudade!*

23 Jun 2021 - 14:00h

A cultura popular religiosa, dos festejos juninos, dedica uma forma diferente de fogueira para cada Santo. A fogueira quadrada é para homenagear Santo Antônio, a redonda São João, e a de formato triangular, São Pedro. Lembrando, que se no dia 23 duas jovens pularem a fogueira de São João, ao tempo em que recitarem determinadas palavras, ensinadas por um idoso da comunidade, estarão a fazer o compromisso de uma se tornar comadre da outra, quando lhes nascer o primeiro filho. Em seguida, deve-se passar nos vizinhos e perguntar “São João passou aqui?”, a depender da resposta da casa, os de fora terão muita comilança, farras e alegrias. A festa segue com bailas, mastro, bandeiras, fita colorida, chuvinhas a pular no céu, jogos, brincadeiras, muitos fogos e foguetes, que segundo conta a história, é para acordar o querido Santo, festeiro que é, que nesse dia dorme, na tentativa de resistir ao ímpeto de descer na terra, dançar sua folia. O mastro lhes é passado por Santo Antônio, que desde Portugal, no dia 13 costuma distribuir às famílias, tradicionais pãezinhos, esses não devem ser comidos e sim guardados em lata de mantimentos, para garantir abundância durante o ano. A tradição também acolhe as viúvas convidando-as a acenderem, no dia 29, sempre às dezoito horas, a fogueira em honra a São Pedro, pedindo proteção ao Santo, que também encarou o processo de viuvez. A história oral do século XIX conta que São Pedro, responsável por abrir a porta dos céus, percebendo a presença de pessoas não autorizadas a entrar, questionou Cristo, que calmamente lhe respondeu que não importasse o quanto fechasse a porta, a Virgem Santíssima abriria a janela. Último a segurar o mastro, São Pedro sinaliza o fim das festas juninas. As delicadas histórias da oralidade é um estímulo ao leitor a prestar atenção aos pequenos ruídos, aos barulhinhos dos silêncios, que estão a fazer parte do nosso dia a dia, entretanto, e geralmente, passam despercebidos. Na verdade, elas dizem muitas coisas nas entrelinhas, dentre essas, que pequenas felicidades em nossas vidas, estão a passar em branco, sem que nelas prestemos atenção, não às dando valor. Mas, também de perceber, que mesmo em meio à barulheira da saudade, importa sempre bailar com leveza a vida, com alegria e muito brilho, e gritar viva, com um amor tão bonito, e tão sincero, feito festa de São João.

*Por: Nilzabete Oliveira/Caetité

Comentários

Romar Oliveira

"(...) É tão prazeroso perceber que a cultura e história de nosso povo e nossa gente permanecem vivas e fortes aos redores de nosso Brasil, tudo isso fica mais gratificante ao parar de fronte uma leitura minuciosa, detalhista, coerente e que nos leva ao passado rodeado de risos pelos interiores na juventude. Meus parabéns a escritora desse real passeio ao passado cultural. Simplesmente magnifico."



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