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Estudantes de Vitória da Conquista criam piso intertravado que substitui brita por plástico Foto: Gabriel Pinheiro/Secti

A falta de calçadas adequadas é um problema em diversos estados. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Censo 2022, 16% das ruas do Brasil não possuem o calçamento adequado. Esse problema chamou atenção das estudantes Livia Neris e Tainá Ferraz, do Centro Territorial de Educação Profissional de Vitória da Conquista, que, orientadas pelo professor Briam Christian, desenvolveram um piso intertravado sustentável e de baixo custo que utiliza garrafa pet como matéria-prima.

As jovens cientistas listam os principais diferenciais do PavSolo. “Combatemos os problemas da poluição plástica e da extração de recursos naturais. No lugar da brita, que é um material muito usado na construção civil. utilizamos a garrafa pet. Quando tiramos esse resíduo da natureza, promovemos a sustentabilidade. Outro ponto do nosso bloco, é que ele é acessível e tem um custo mais baixo, o que possibilita que as pessoas possam produzir até mesmo em suas casas”, afirmam Livia e Tainá.

Para o professor Briam Christian, a educação científica e empreendedora permite que a juventude possa viver novas possibilidades. “A escola tem um papel importante de fazer que esses alunos se desenvolvam e percebam que conseguem ir muito além do local que estão hoje. Eu também já fui um aluno que um professor incentivou, estudando aqui na mesma escola, e eu desenvolvi, corri atrás, realizei vários sonhos, por conta de incentivos de professores”, lembra.

Destaque no Bahia Tech Experience (BTX), maior evento de inovação do estado, promovido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e pelo Sebrae Bahia, o projeto é motivo de orgulho para a comunidade escolar. As estudantes e o professor planejam buscar, nas próximas etapas do projeto, formas de patentear a ideia e inserir o produto no mercado.

Caetité forma 1ª turma da Trilha de Empreendedorismo Inovador do Alto Sertão Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

O Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Alto Sertão, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti) e o Hub Conquista realizarão nesta terça-feira (09), às 9h, o encerramento da Trilha de Empreendedorismo Territorial Inovador - Alto Sertão. Na oportunidade, os Jovens Embaixadores da Inovação serão certificados. O evento acontecerá no antigo Colégio Modelo, em Caetité, com a presença do Secretário Estadual de Ciências, Tecnologia e Inovação, Marcius Gomes.

Ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, Anderson Públio, que está à frente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Alto Sertão, destacou que se trata do encerramento de um ciclo que teve início com a seleção de 50 jovens da região para participação no programa inovador proposto pelo consórcio, em parceria com a Secti e o Hub Conquista. “Foi uma trilha empreendedora bastante produtiva. Esses jovens desenvolveram projetos conectados com as demandas e vivências que eles experimentam em suas regiões. Eles desenvolveram diversas soluções e essas soluções serão premiadas amanhã”, ressaltou.

Compondo a equipe do Hub Conquista, Vitor Lourenço afirmou que a entidade conseguiu atingir seus objetivos, principalmente no que se refere ao desenvolvimento de habilidades de inovação e empreendedorismo para o mercado. A proposta é também desenvolver o protagonismo dos jovens participantes. “O projeto superou as nossas expectativas. Os jovens são muito bons e só precisavam de um ponto de ignição, uma chama acesa para que pudessem trabalhar com suas habilidades”, avaliou. As soluções apresentadas versam sobre diversas áreas, como software, saúde, tecnologia e diminuição de filas de espera. Lourenço informou que são soluções robustas, que já estão sendo preparadas para serem comercializadas no mercado, público e privado.

Por meio de vários workshops, Sara Ferreira relatou que os jovens foram habilitados ao uso das tecnologias e a “pensar fora da caixa” com a finalidade de solucionar problemas encontrados na região. “Obtivemos resultados que não esperávamos. Esses jovens são muito bons, com muito potencial. Tivemos até soluções premiadas”, acrescentou.

 Suiá Silva informou que 18 municípios se envolveram com a proposta, o que revela a magnitude do projeto. “Atuar com inovação na região é extremamente importante. Significa trazer desenvolvimento para o território local. Temos grandes potenciais”, concluiu.

A ideia é dar continuidade ao projeto com novas trilhas.

Estudantes de Lagoa Real criam estufa agrícola automatizada Foto: Divulgação/Secti

Os estudantes Mayara Cardoso, Letícia Guanaes e Karllos Avelar, do Colégio Estadual Luís Prisco Viana, de Lagoa Real, orientados pela professora Izis Pollyanna, criaram uma estufa agrícola automatizada com adubação verde para o cultivo de hortaliças.

A proposta busca melhorar a qualidade do solo, otimizar o uso da água e fortalecer a produção por meio de tecnologias acessíveis ao pequeno produtor.

Avelar explicou que o principal diferencial da estufa está no nível de tecnologia aplicado ao seu funcionamento. “Enquanto a maioria das estufas tradicionais depende quase exclusivamente de controle e manejo manual, nosso projeto integra automação completa e monitoramento inteligente, ampliando a eficiência produtiva e reduzindo significativamente a necessidade de intervenção constante do agricultor”, detalhou.

O protótipo tem a capacidade de atenuar os efeitos das variações climáticas e minimizar os impactos de longo prazo causados pela salinidade do solo, desafios comuns no semiárido.

Cardoso ressaltou que outro ponto inovador é a incorporação de um banco de dados agrícola, que fornece orientações personalizadas de acordo com as necessidades específicas de cada espécie cultivada. “Isso permite que até agricultores com pouca experiência técnica possam tomar decisões mais assertivas, aumentando a produtividade e reduzindo falhas no cultivo”, completou.

Caculé: Jovens criam biofilme para combater apodrecimento de frutas Foto: Divulgação/Secti

Buscando alternativas para o problema do apodrecimento de frutas, estudantes do Colégio Estadual de Tempo Integral Norberto Fernandes, no município de Caculé, desenvolveram um biofilme, à base de romã e jatobá.

Os jovens cientistas Álvaro Costa, Arthur Mota, Artur Trindade, João Brito, Lavínia Neres e Ludmila Novaes pensaram em buscar matérias-primas abundantes na região. “A ideia, que surgiu em sala de aula, foi usar frutas e plantas que a gente já conhece do dia a dia, mas que nem sempre têm seu potencial valorizado. A romã e o jatobá chamaram atenção por terem propriedades antimicrobianas e antioxidantes naturais, por isso pensamos em juntar essas características para criar algo que ajudasse na conservação de alimentos”, explicaram.

Depois da pesquisa teórica sobre as propriedades químicas dos ingredientes, os estudantes prepararam os extratos das plantas e fizeram os testes de formulação até chegar na textura e espessura que consideravam ideais para o biofilme. “Aplicamos nas mangas e acompanhamos o tempo de conservação comparando com frutas sem o revestimento. Tivemos ótimos resultados também com a aplicação na maçã e na banana”, destacou Sousa.

A professora orientadora, Edjane Costa, apontou que a inserção dos jovens na ciência e no empreendedorismo é fundamental. Destaque no Bahia Tech Experience (BTX), principal evento de inovação do estado, promovido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e Sebrae, o biofilme conta com apoio da Secretaria da Educação (SEC) e da comunidade escolar. As próximas etapas envolvem o aprimoramento da fórmula para testagem em outras frutas e alimentos.

Secti busca investimentos em tecnologia e supercomputadores na região de Guanambi Foto: WhatsApp/Achei Sudoeste

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (Secti), Márcio Gomes, esteve no município de Guanambi para uma agenda estratégica, a pedido do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, o secretário explicou que a visita busca identificar e aproximar o ecossistema que envolve a ciência e tecnologia das pautas dos territórios. Ele ressaltou que o governo enxerga a região com grande potencial de investimentos para geração de emprego e renda. “A região de Guanambi e o Território do Alto Sertão possuem riquezas minerais e de energias renováveis e, agora mais recentemente, uma agenda para investimentos na área de Data Center, que envolve supercomputadores”, afirmou.

Segundo o secretário, a visita antecede o anúncio de investimentos no que se refere à proteção de dados para preservação da soberania nacional. O Governo do Estado pretende implantar um supercomputador na região de Igaporã. “A Bahia é líder na produção de energias renováveis e essa capacidade também abre uma oportunidade de investimentos na área de tecnologia. A gente acredita que esse novo mercado irá gerar frutos importantes para o desenvolvimento da região e, especialmente, para Igaporã”, declarou.

O projeto, que será executado em etapas, também poderá abrir um leque de possibilidades na área de tecnologia da informação em todo território.

Palmas de Monte Alto: Estudantes desenvolvem canudo ecológico a partir da casca do ovo Foto: Divulgação/Secti

O Brasil é um dos países que mais produzem resíduos plásticos no mundo. Pesquisa da ONG Oceana aponta que os brasileiros despejam anualmente 1,3 milhão de toneladas de plástico nos mares, o equivalente a 8% de toda poluição do tipo a nível mundial. Para ajudar a minimizar esse impacto no Sertão Produtivo, as estudantes Maria Alice, Luma Badaró e Lorrany Lopes, do Colégio Estadual de Tempo Integral Anísio Teixeira, em Palmas de Monte Alto, criaram um canudo ecológico produzido a partir da casca do ovo.

Maria Alice destacou que o projeto não é apenas uma ideia criativa, mas uma solução viável, com base científica e grande potencial de impacto ambiental e econômico. Para as próximas etapas, as estudantes planejam comparar o ciclo de vida ambiental dos canudos ecológicos com os convencionais, além de criarem um design mais atraente para o público infantil.

Professor orientador do projeto, Ueliton Oliveira defendeu a importância da formação de jovens cientistas. “A inserção dos jovens na educação científica e empreendedora é fundamental para a formação integral do estudante, pois contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade e do protagonismo juvenil, preparando-os para enfrentar os desafios sociais, ambientais e econômicos do presente e do futuro”, afirmou.

Boquira: Jovens desenvolvem ração sustentável para evitar o descarte irregular do mamoeiro Foto: Divulgação/Secti

Como uma alternativa viável que explora os potenciais sustentáveis do setor agrícola, a ração Nature, produzida a partir do caule do mamoeiro, evita o descarte irregular dessa parte da planta e representa uma prática ambientalmente responsável. O projeto, idealizado pelos estudantes Helder Almeida e Daniel Conrado, do Colégio Estadual de Boquira, tem orientação da professora Cássia Fabiane Nascimento. Os jovens cientistas desenvolveram uma proposta economicamente viável mesmo em larga escala. Conhecido cientificamente como Carica papaya L., a matéria-prima também é chamada de pseudocaule. Ela armazena nutrientes, água, é rica em fibras e contém a enzima papaína, eficaz na digestão animal. Além disso, apresenta substâncias bioativas com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antivirais. Durante os meses de experimentação, foi possível observar melhorias no desempenho das aves alimentadas com a nova ração. “Elas passaram a apresentar maior ganho de peso, crescimento saudável e aumento significativo na produção de ovos. Entre as galinhas caipiras, essa produção chegou a triplicar”, afirmou Helder. Criadores e aves da região incorporaram a nova ração ao farelo de milho utilizado no dia a dia. Por ser um produto totalmente orgânico, sem aditivos químicos, de baixíssimo custo produtivo e que obedece aos requisitos de produção e consumo sustentável, a ração torna-se benéfica para os produtores rurais e, consequentemente, para o setor agrícola.

Estudantes de Riacho de Santana criam copos biodegradáveis à base de papel reciclado Foto: Divulgação/Secti

O descarte de papel em ambientes escolares costuma ser um desafio grande. Dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostram que os materiais recicláveis secos representam 33,6% do total de 82,5 milhões de toneladas anuais de resíduos sólidos urbanos produzidos durante os anos de 2020 e 2021. Deste número, 10,4% ou 8,57 milhões de toneladas são somente de papel e papelão descartados. Pensando em uma solução sustentável para o problema, um grupo de estudantes do Colégio Estadual de Tempo Integral Sinésio Costa, no município de Riacho de Santana, sob a orientação das professoras Dulcinéia Ferreira e Nilva Araújo, utilizou os papéis acumulados nas lixeiras para desenvolver copos biodegradáveis. A proposta busca garantir um destino apropriado ao papel descartado e promover práticas sustentáveis de reciclagem. “A ideia do projeto vai além da reutilização dos resíduos, representa uma mudança de mentalidade no ambiente escolar”, explicou Nilva. A estudante Fernanda Gabriela afirmou que o processo envolve desde a coleta e separação dos papéis descartados até etapas criteriosas de higienização, trituração e moldagem. “Após a secagem, os copos recebem um revestimento com ceras naturais, como a de abelha ou de origem vegetal, os tornando impermeáveis e seguros para o uso. Essa metodologia, além de acessível, demonstra que soluções ecológicas podem ser aplicadas com criatividade e baixo custo, desde que haja engajamento e orientação adequados”. As estudantes envolvidas na pesquisa são: Ana Luiza Menezes Oliveira, Bruna Dayssy de Souza Lima, Camila Souza Miranda, Fernanda Gabriela, Kawany Beatriz Sena de Amorim, Mariana Araújo Macêdo e Sofia Lima Alves.

Ibiassucê: Estudantes criam pomada caseira para tratamento de feridas em gado Foto: Divulgação/Secti

Na região de Ibiassucê, o gado costuma sofrer lesões provocadas pelo contato com a aveloz, planta tóxica amplamente usada como cerca viva, e a requeima, enfermidade causada por sensibilidade à luz. O problema afeta a produtividade pecuária e gera despesas para os criadores locais. Pesando nisso, os estudantes Policarpo Costa e Maykon Brito, do Colégio Estadual Antônio Figueiredo, sob a orientação do professor Janilton Almeida, desenvolveram uma pomada medicinal à base de plantas. A solução fitoterápica, nomeada Pomak Gel, facilita o acesso popular ao tratamento das feridas externas em bovinos e equinos. A pomada é composta por três plantas: babosa, jurema preta e os taninos, presentes no angico, que possuem características anti-inflamatórias, fotoprotetoras e cicatrizantes. Segundo Janilton, o produto pode beneficiar o semiárido por causa do modo de produção artesanal e de baixo custo. O professor acredita que o gel, que está em processo de patenteamento, já seria viável aos pecuaristas, através da produção caseira, com as devidas orientações de segurança. A iniciativa dos estudantes foi finalista na Feira Brasileira de Iniciação Científica em Santa Catarina no ano de 2023, com apoio da Secretaria da Educação (Sec).

Candiba: Jovens desenvolvem spray natural à base de cachaça contra inflamações Foto: Divulgação/Secti

Buscando uma alternativa natural e acessível para aliviar dores, as estudantes do Colégio Estadual de Tempo Integral Antônio Batista, de Candiba, Iasmyn Vitória Teixeira Melo e Maria Luisa da Trindade Silva, com orientação de Caio Ceza Nunes, desenvolveram um spray terapêutico à base de mastruz, folhas de cânfora, cachaça e plantas medicinais que possuem propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antimicrobianas. Segundo as estudantes, a receita foi inspirada em suas avós, que utilizavam essas ervas em casos de inflamação. Após selecionar os ingredientes, a dupla se dedicou a estudar as propriedades e os benefícios de cada componente para desenvolver a fórmula do spray. A cânfora possui propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, que aliviam as dores locais, estimulam a circulação sanguínea da área afetada, acelerando o processo de cicatrização, e proporciona um efeito refrescante que reduz o desconforto. O mastruz apresenta diversas propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas. Já o álcool presente na cachaça tem ação antisséptica e antimicrobiana, podendo ajudar a prevenir infecções nas áreas inflamadas. O trabalho deve ser expandido, com novos produtos acrescentados à mistura, como, por exemplo, a arnica e o girassol.

Estudantes de Candiba criam óleo natural para aliviar sintomas da ansiedade Foto: Divulgação/Secti

A ansiedade é uma reação natural do organismo, mas, quando se manifesta de forma frequente e intensa, pode se tornar um transtorno psicológico. O Brasil é o país com mais casos de transtornos de ansiedade no mundo, com cerca de 18 milhões de pessoas afetadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao identificar a dimensão do problema, as estudantes Emília Vieira Araújo e Tainara Rocha de Oliveira, do Colégio de Tempo Integral Antônio Batista, em Candiba, desenvolveram, sob orientação da professora Marciele de Oliveira, um óleo corporal à base de capim-santo, com efeito calmante que ajuda a aliviar os sintomas da ansiedade. A ideia surgiu na aula de iniciação científica. 

Estudantes de Candiba criam óleo natural para aliviar sintomas da ansiedade Foto: Divulgação/Secti

A planta capim-santo foi escolhida após a equipe identificar propriedades que contribuem para o relaxamento do corpo. “Nossa pesquisa mostra que seus componentes, como o citral, promovem relaxamento e sensação de calma. O aroma da planta ajuda a diminuir sintomas como aceleração dos batimentos cardíacos e agitação. A receita tem na sua composição o extrato de capim-santo e óleo de coco, sendo, portanto, 100% natural”, explicou Marciele. O projeto, que conta com o apoio da Secretaria da Educação (SEC), passou por uma fase de testes e será aprimorado. Os voluntários confirmaram que o óleo proporcionou bem-estar, alívio dos sintomas da ansiedade e melhora na qualidade do sono.

Estudantes desenvolvem creme antiacne à base de tomate-cereja em Guanambi Foto: Divulgação/Secti

A acne é uma doença inflamatória da pele causada pela obstrução dos folículos pilosos por sebo e células mortas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), ela afeta cerca de 56% da população brasileira, sendo o problema dermatológico mais comum no país. Ao lidar com esse incômodo na própria pele, a estudante Valéria Pereira, do Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho, em Guanambi, desenvolveu, junto com Eduarda Diamantino e sob orientação de Elizangela Souza, um creme à base de tomate-cereja para combater a acne. Valéria utilizava o tomate-cereja como esfoliante na pele para remover cravos, espinhas e excesso de oleosidade. “Então, pensando nisso, ela se organizou com mais uma colega e foram pesquisar, fazer uma busca de artigos que já tivessem feito pesquisas envolvendo o tomate-cereja no tratamento de acne”, explicou Souza. O creme tem como principal ingrediente o tomate-cereja, que possui propriedades eficazes no combate à acne. O licopeno do tomate é um carotenoide antioxidante e atua na proteção da pele, prevenindo o envelhecimento e reduzindo a aparência e a formação de rugas e manchas, como o melasma. O produto também conta com um hidratante umectante à base de glicerina, que tem ação antioxidante, ajuda a restaurar e devolver o viço da pele, além de recompor a hidratação, proporcionando uma aparência saudável. A fase de análise do produto já foi finalizada, com resultados promissores. A equipe conta com o apoio da Secretaria da Educação (SEC).

Candiba: Estudantes criam bala de romã com potencial terapêutico contra gripes Foto: Divulgação/Secti

As doenças respiratórias fazem parte do cotidiano e podem variar de quadros leves a graves, com sintomas como febre, dor no corpo e inflamação na garganta. Nos três primeiros meses de 2025, a Fiocruz registrou 21.498 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Em Candiba, as estudantes Ana Clara Guimarães, Lavínia Viana e Erica Rayssa Junqueira, do Colégio Estadual de Tempo Integral Antônio Batista, com orientação do professor Daniel Rocha, criaram uma bala à base de romã para aliviar os sintomas gripais. A ideia de desenvolver a bala surgiu durante uma epidemia de gripe na cidade. "O hospital estava lotado por atendimentos de infecções virais e alergias na garganta. Para ajudar, decidimos criar algo que pudesse aliviar os sintomas, usando uma receita caseira que vem sendo passada por gerações em nossas famílias. A bala foi desenvolvida com a finalidade de amenizar os sintomas de infecções bucofaríngeas e sintomas da gripe", explicou Ana Clara. Segundo as jovens cientistas, a bala contém outros ingredientes que, juntos, promovem ação antibacteriana e anti-inflamatória. As cascas de romã são ricas em flavonoides e taninos, que formam a base antioxidante do produto. Já a ação antibacteriana é potencializada por ingredientes complementares, como limão, suas cascas e mel. O projeto tem o apoio da Secretaria da Educação (SEC) e passou por diferentes etapas de testes, todos com resultados positivos.

Estudantes de Santa Maria da Vitória criam sabonete cicatrizante para equídeos Foto: Milena Monteiro/Secti-BA

Um sabonete à base de babosa, mel e açafrão foi desenvolvido por estudantes de Santa Maria da Vitória, no oeste da Bahia. O objetivo de Émily Hana e Ana Clara Pereira, orientadas pela professora Eugênia de Queirós, era trazer um produto de baixo custo para auxiliar na saúde e bem-estar de equídeos, como cavalos, jegues e burros. Batizado de CicatrizAção, o produto tem propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes devido aos ingredientes naturais, o que auxilia no processo de cura dos animais. A iniciativa ocorre em um estado com um rebanho de equídeos de mais de 500 mil animais, segundo dados da Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Adab). “Observamos que, embora o mercado de produtos veterinários seja diversificado, existe uma lacuna no que diz respeito ao uso de ingredientes naturais e seguros para a saúde animal. A combinação entre babosa, mel e açafrão foi escolhida por suas propriedades curativas e cicatrizantes comprovadas”, diz Émily Hana, que estuda no Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Rio Corrente. Conforme a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), os testes realizados com um grupo de voluntários, proprietários de equinos, demonstraram índices promissores de cura. A equipe, que tem apoio da Secretaria da Educação e de veterinários, projeta próximos passos. “Queremos ampliar os testes e a produção para garantir a consistência do produto e a sua eficácia. Também estamos trabalhando para obter certificações de segurança e qualidade, além de registrar o produto junto aos órgãos competentes. A expectativa é expandir o uso para diferentes tipos de animais e, eventualmente, buscar parcerias com clínicas veterinárias e pet shops”, afirma Ana.

Estudantes produzem aparelhos de laboratório com materiais recicláveis Foto: Milena Monteiro/SECTI

De acordo com dados da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aproximadamente 30% de todo o lixo colhido no Brasil tem potencial de reciclagem, mas apenas 3% são reaproveitados e transformados novamente em produtos. Entre as diferentes formas de reciclar os resíduos, em Santa Maria da Vitória, cidade do oeste baiano, Emanuelly Dourado e Emili Moura, estudantes do Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Rio Corrente, utilizaram os descartes para desenvolver kits laboratoriais. A ideia do projeto é ampliar os equipamentos do espaço de estudo, além de promover a educação ambiental. A jovem cientista Emanuelly conta que o grande objetivo da proposta é envolver os estudantes durante todo processo de fabricação. “O propósito é reciclar materiais de baixo custo e transformar em produtos que serão utilizados no cotidiano dos alunos. Essa é uma alternativa para instigar a curiosidade e o aprendizado do ensino científico entre os jovens”, conta. Até o momento, 12 tipos de equipamentos estão inclusos no kit, contendo balança, tubos de ensaio, manuais de ensino, entre outros utensílios. Ainda em desenvolvimento, o projeto tem retorno positivo dos professores, que certificam a eficácia dos produtos na experiência de ensino e aprendizagem.  “A maior parte dos materiais produzidos no kit possui autoria de criação, ou seja, o estudante colabora com o projeto e vivencia a aprendizagem de modo prático. Esse é o diferencial do nosso produto. Ele conta com o auxílio dos alunos, da comunidade e dos professores”, acrescenta a estudante pesquisadora. As idealizadoras do projeto, que integra o Programa Ciência na Escola, da Secretaria da Educação, contam com a orientação da professora Eugênia Silva. As meninas almejam, além de ampliar a produção com novas turmas participantes, distribuir os kits em regiões vizinhas que ainda não foram favorecidas.

Estudante de Bom Jesus da Lapa é aprovada no Programa Futuras Cientistas Foto: Divulgação/SEC

A estudante Vitória Cristina dos Santos, 18 anos, do Colégio Estadual Everton Oliveira de Santana, no Distrito de Favelândia, em Bom Jesus da Lapa, na região oeste da Bahia, foi aprovada na Banca de Estudos 2024, do Programa Futuras Cientistas. Realizada pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a iniciativa busca preparar seu público-alvo para o Exame do Ensino Médio (Enem) e instigar a participação feminina no meio científico e tecnológico. A ideia é promover o desenvolvimento do pensamento e de atividades científicas transdisciplinares, reduzindo barreiras para o acesso e a permanência de meninas e mulheres nos espaços científicos. Segundo Vitória Cristina, a sua aprovação é uma conquista pessoal muito significativa. “Foi muito importante para minha vida escolar. Esta realização é fruto de muita dedicação minha, por sempre buscar aprender, e de todos os envolvidos em transmitir conteúdos fundamentais, em especial a professora Gabriela, que me apresentou o projeto e me incentivou a fazer a inscrição”, afirmou.

Estudantes de Candiba usam planta melão para criar sabonete que combate pulgas Foto: Divulgação/Secti-BA

De olho no potencial do mercado de animais de estimação, em Candiba, estudantes do Colégio Estadual Antônio Batista, Ana Prado, Camille Teixeira e Larissa Oliveira, desenvolveram um sabonete à base da planta melão-de-são-caetano como uma possível alternativa econômica para a higiene de cachorros. Através de estudos, as jovens pesquisadoras observaram que o extrato do vegetal tem propriedades eficazes no combate contra infestação por ectoparasitas e que parte da comunidade local já o utilizava nos cuidados com pets. Orientadora do projeto, Luzimária Barros, explicou que a planta elimina em torno de 90% de companheiros indesejados, como pulgas. “Em apenas um banho, notamos que os insetos e as sarnas diminuíram consideravelmente”, afirmou. Com propriedades antiparasitárias, cicatrizantes, antibióticas, antivirais e inseticidas, a planta possui diversos bioativos que garantem o resultado do produto. O projeto, que integra o Programa Ciência na Escola, da Secretaria da Educação, ajuda no combate à infestação por pulgas e carrapatos, problema recorrente em cães e que pode acarretar doenças aos animais e seus tutores.

Candiba: Estudantes produzem creme dental orgânico com componentes da caatinga Foto: Divulgação/Secti

A falta de cuidado odontológico pode causar problemas graves de saúde bucal. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 15% da população cuida da higiene oral com regularidade. Pensando em um produto sustentável, de baixo custo e eficaz, os estudantes do Colégio Estadual Antônio Batista, do município de Candiba, Késia dos Santos, Marina Alves e Osvaldino de Souza desenvolveram durante a mostra de iniciação científica estudantil um creme dental orgânico com componentes da caatinga. Segundo Késia, o extrato do juazeiro e a hortelã são uma alternativa sustentável para as pessoas que não têm condições financeiras de manter a saúde bucal através de meios convencionais. Ela explica que os ingredientes naturais têm propriedades antissépticas, antimicrobianas, anti-inflamatórias, clareadoras e antifúngicas. Os alunos, que contam com apoio do orientador William Oliveira, acreditam que o produto atenderá às necessidades locais. O projeto é desenvolvido no Programa Ciência na Escola, da Secretaria da Educação (SEC).

Inovação: Brasil estagna em ranking mundial Foto: Reprodução/Guilherme Leporace/Jornal O Globo

O Brasil ficou na 69ª posição no Índice Nacional de Inovação, elaborado pela Universidade de Cornell, pela escola de negócios Insead e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Foram analisadas 130 economias e o Brasil ficou estagnado em relação ao índice do ano passado. A Suíça lidera o ranking pelo sétimo ano consecutivo. As economias de países desenvolvidos (ou alto rendimento, como o índice as classifica) ocupam 24 das 25 primeiras posições do ranking. Em segundo lugar, apareceu a Suécia, que estava na mesma colocação do ano passado, os Países Baixos (9º lugar no ranking de 2016) saltaram para o terceiro lugar e os Estados Unidos mantiveram o quarto lugar. A China foi o único país emergente (considerada pelo ranking como uma economia de rendimento médio) a aparecer entre as 25 primeiras posições. O país asiático saltou da 25ª, conquistada no levantamento do ano passado, para a 22ª posição este ano. Entre as economias da América Latina e Caribe, o Brasil aparece em sétimo lugar, atrás de Chile (46º), Costa Rica (53º), México (58º), Panamá (63º), Colômbia (65º) e Uruguai (67º). As informações são do jornal O Globo.

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