Preço do leite sobe mais de 20% em 12 meses

04 Jul 2022 - 11:30h

O preço do leite é um exemplo muito evidente das dificuldades que os brasileiros têm encontrado pra enfrentar a inflação dos alimentos. O bolo que a cozinheira Ana Lília Brum faz para vender está uma delícia, está bonito, mas não é a receita original. “Esse bolo especificamente é um bolo de fubá, e a base dele é o fubá e o leite. Então, eu substituí por um suco. Entendeu? A gente colocou um suco e manteve a qualidade, mas o leite saiu de fininho”, conta ao Jornal Nacional. Essa adaptação passa pelo preço do leite. “O leite que eu pagava R$ 6, hoje está R$ 10”, lamenta. O levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da FGV confirma o que Ana Lília sentiu na cozinha. Os laticínios subiram 15,5% nos últimos 12 meses. O leite longa vida, item da cesta básica, foi o que teve a maior alta: 20,97%, muito acima do índice de inflação medido pela FGV, o IPC-10, que foi de 10,28% no mesmo período. O litro chega a passar dos R$ 10, para a revolta dos consumidores de Goiânia. “Não está dando nem para comprar. Eu olhei ali agora e não vou levar hoje não. Vou deixar baixar um pouco”, afirma a aposentada Edilza da Silva Nascimento. Normalmente, o preço do leite sobre nesta época do ano, entre abril e junho, por causa da entressafra, quando as chuvas diminuem e a pastagem fica ruim. As vacas, então, produzem menos leite e o preço sobe. Mas esse não é o único motivo. A alta de preços atingiu toda a cadeia produtiva que envolve os laticínios. A ração subiu, a energia elétrica está lá em cima, os fertilizantes influenciados pelo dólar, e, claro, os combustíveis caros, usados no frete. O resultado de tudo isso é o leite lá no alto, com preços que poucas vezes se viu. “Esse é um patamar bem histórico na série, né? Mais de 20% de aumento em 12 meses. É um aumento de custo bem significativo. Por um lado, esse preço já deve estar chegando em um teto. Mesmo sendo um bem tão essencial, essa demanda vai acabar caindo ainda mais com esse aumento de preço, mas ele vai estacionar em um patamar alto até essa produção voltar com o mesmo vigor de antes”, afirma o economista Matheus Peçanha, da FGV.

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