Barra da Estiva se tornou desde o dia 16 de agosto um dos primeiros municípios brasileiros a ter a Lei da Ficha Limpa Municipal. Aprovada por unanimidade dos vereadores durante Sessão do Poder Legislativo, a lei proíbe a nomeação para qualquer cargo nos Poderes Executivo e Legislativo municipal de quem for condenado, em decisão transitada em julgada ou por órgão colegiado, por crimes dolosos, crimes eleitorais, tráfico de drogas, entre outros. Está previsto ainda na lei que também não poderão ser nomeados, nem de forma indireta ou autárquica, aqueles que, no exercício de cargos públicos, tiverem suas contas rejeitadas por ato doloso de improbidade administrativa em decisão sem recursos dos órgãos competentes. De acordo com o Jornal Tribuna do Sertão, a Ficha Limpa de Barra da Estiva surgiu do projeto do vereador Fabrício Viana (PV), líder da bancada situacionista, e já foi encaminhada para a sanção do prefeito Adriano Carlos Dias Pires (PV), o Dinho. Ao votar favoravelmente por seu projeto, Viana disse acreditar que todos os ocupantes de cargos públicos ou os que desejarem ocupar devem ter a ficha limpa. “Esta é uma vitória de todos em Barra da Estiva”, completou o vereador.
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Narração automática (IA)No dia 16 de agosto último, durante a sessão legislativa da Câmara de Vereadores de Barra da Estiva, no sudoeste baiano, o diretor de redação do Jornal Tribuna do Sertão, Leonardo Oliva, foi retirado arbitrariamente do plenário por policiais militares a mando do presidente da Câmara, Antônio Lopes de Araújo (PV). O episódio foi transmitido ao vivo pela rádio local. Segundo relato do próprio Leonardo Oliva, antes mesmo do início da sessão, o presidente já havia demonstrado insatisfação com a sua presença no recinto. Tanto que quando o presidente o encontrou em um dos corredores do prédio, o mesmo teria mandado que ele se retirasse do local, afirmando que o “poder legislativo não aceitava a sua presença ali”. Lopes teria dito ainda que se o diretor não se retirasse por bem, chamaria a polícia e ele teria que sair por mal. Mesmo com o ocorrido, o diretor permaneceu no local para fazer a cobertura jornalística da sessão. No entanto, no momento em que o mesmo se levantou para fazer algumas fotos da mesa diretora e das bancadas de oposição e situação, o presidente determinou de forma bastante alterada que os policiais militares retirassem o diretor do plenário, apreendessem a sua máquina e apagassem o conteúdo da mesma.
O diretor do Jornal Tribuna do Sertão, Leonardo Oliva, ficou indignado com a atitude do presidente do legislativo. (Foto: Divulgação). Leonardo foi então retirado do plenário e teve a sua máquina apreendida, porém o seu conteúdo não foi apagado, segundo ele, por bom senso dos policiais. “Estamos de volta ao tempo da Ditadura na Câmara de Barra da Estiva? Onde está a liberdade de imprensa? Quem é o Presidente para se autointitular como ‘Poder Legislativo', achando que pode personificar este poder?”, questionou o diretor do Jornal Tribuna do Sertão, afirmando que o presidente não pode, “de forma arbitrária e intransigente, tomar decisões individuais fora do que determina o Regimento Interno e a Lei Orgânica, em nome do poder legislativo, que é um órgão colegiado, cujas decisões se dão por maioria simples ou qualificada dos seus membros”. O Jornal divulgou uma nota de repúdio contra o episódio e a atitude do presidente.