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Brumado
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Mantida prisão de dentista que usava gaze para enviar drogas dentro do Presídio de Brumado Foto: Divulgação/Polícia Penal

Uma dentista que atuava no Conjunto Penal de Brumado teve a prisão em flagrante convertida em preventiva após ser acusada de entregar drogas para internos da unidade. A profissional é suspeita de entregar porções de cocaína e maconha escondidas em pacotes de gaze para um detento durante um atendimento odontológico na manhã da última quarta-feira (18).

A decisão, proferida nesta sexta-feira (20) pelo juiz Genivaldo Alves Guimarães, detalha um esquema que já vinha sendo monitorado pela Polícia Penal. Segundo as investigações, a profissional aproveitava a condição de paciente oncológica para não passar pelo scanner corporal (body scan) da unidade, o que facilitava a entrada dos entorpecentes no presídio.

O flagrante ocorreu depois de um interno ser abordado por agentes logo após deixar o consultório. Com ele, foram encontrados dois pacotes de gaze selados contendo as drogas. Em depoimento, o preso confirmou que recebeu o material da dentista para ser entregue na cela 8.

Um dos relatos mais graves incluídos no processo é de um assistente da unidade prisional. Ela afirmou à polícia que a dentista a coagiu a destruir provas - ordenando que jogasse embalagens plásticas no vaso sanitário e desse descarga - e que chegou a ameaçar a sua família para manter o segredo. A assistente revelou ainda ter sido obrigada a emprestar sua conta bancária para receber depósitos via Pix que somavam R$ 750,00, valores supostamente ligados ao tráfico.

Durante a audiência de custódia, a defesa da dentista alegou que a prisão era ilegal por não haver situação de flagrância, uma vez que a droga não estava em posse direta da acusada no momento da abordagem. A defesa também pleiteou a liberdade provisória ou prisão domiciliar, ressaltando que a dentista é primária, possui residência fixa e faz tratamento contra o câncer há dois anos e meio.

No entanto, o magistrado rejeitou os pedidos, destacando que a gravidade da conduta e a ameaça a testemunhas justificam a manutenção da prisão para garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal. Sobre o estado de saúde, o juiz pontuou que o fato de ela estar trabalhando regularmente indica que não está debilitada a ponto de exigir o regime domiciliar e que o tratamento médico será garantido pelo sistema prisional ou mediante escolta.

“As circunstâncias e os elementos apurados até o momento permitem a conclusão, em cognição sumária, pela gravidade concreta do crime e do risco à ordem pública”, registrou o juiz na decisão. A dentista responderá pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e por envolver unidades prisionais no delito.

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