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Decrin aponta índice elevado de racismo e intolerância religiosa na Bahia Foto: Divulgação/Polícia Civil

Nesta terça-feira (28), a Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin) realizou um mutirão de atendimento a mulheres negras vítimas de racismo e intolerância religiosa. Desde que foi criada há cerca de 1 ano e meio, a unidade vem promovendo esse tipo de iniciativa regularmente.

Ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, o delegado Ricardo Amorim, titular na Decrin, destacou que essa última edição do mutirão foi realizada em virtude do encerramento do movimento Julho das Pretas, voltado para o fortalecimento da ação política coletiva e autônoma das mulheres negras nas diversas esferas da sociedade.

Uma delegacia móvel foi montada na Praça da Piedade, em Salvador, para realização do processo de escuta das mulheres vítimas. Cerca de 60 mulheres foram atendidas durante a ação. Segundo o delegado, no local, diversos esclarecimentos e orientações foram prestadas, bem como algumas ocorrências registradas.

A proposta é fazer com que esses casos cheguem, efetivamente, ao conhecimento da Polícia Civil para que o processo seja encaminhado à Justiça e os autores sejam condenados criminalmente. Na oportunidade, as pessoas foram conscientizadas sobre a importância de registrar os casos de racismo e intolerância religiosa a fim de que a polícia possa combater esse tipo de crime na capital e no interior.

O delegado destacou que, embora seja um estado predominantemente negro, a Bahia ainda registra muitos casos de racismo e intolerância religiosa. “Ainda temos uma visão antiga com resquícios da aristocracia, onde as pessoas brancas acham que são melhores que as pessoas negras e que têm preconceito contra pessoas de religiões de matrizes africanas. Infelizmente, é muito comum e frequente”, lamentou.

Na Decrin, há centenas de investigação em andamento com relação a crimes de racismo e intolerância religiosa e a polícia realiza diariamente diligências, oitivas e até prisões em flagrante envolvendo essas ocorrências. O delegado informou que o número de ocorrências é crescente, porém as subnotificações ainda são muito expressivas.

Vale salientar que o crime de injúria racial, que consiste em ofender a dignidade ou a honra de uma pessoa utilizando elementos de raça, cor, etnia, religião ou origem, é equiparado ao racismo, sendo inafiançável e imprescritível, com pena de reclusão de dois a cinco anos.

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