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Chapada Diamantina
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69 trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão na Chapada Diamantina Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

Duas operações coordenadas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) resultaram no resgate de 69 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão na região da Chapada Diamantina. As ações ocorreram em um canteiro de obras no município de Seabra e em garimpos subterrâneos de extração mineral em Novo Horizonte. Segundo as autoridades, os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas, graves riscos de acidentes e alojamentos degradantes.

Em Seabra, a fiscalização realizada em 25 de maio flagrou 45 trabalhadores em situação de extrema vulnerabilidade nas obras de um ponto de apoio rodoviário e restaurante às margens da BR-242. Os auditores constataram que os operários, recrutados em diversos estados, cumpriam jornadas exaustivas de até 65 horas semanais. O grupo vivia em alojamentos superlotados, sem privacidade ou higiene básica, dividindo espaço com materiais de construção e produtos químicos. Não havia registro em carteira ou equipamentos de proteção. Após a intervenção, a obra foi totalmente embargada e a empresa foi obrigada a pagar R$ 578.243,28 em verbas rescisórias, além de R$ 157.500 em indenizações por danos morais individuais.

69 trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão na Chapada Diamantina Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

Já em Novo Horizonte, uma ofensiva realizada entre 24 de maio e 3 de junho resultou no resgate de 24 garimpeiros que extraíam quartzo rutilado e barita. Os trabalhadores atuavam em poços de até 100 metros de profundidade sob risco iminente de soterramento, queda e contaminação por sílica, sem qualquer equipamento de segurança. A fiscalização desmantelou uma estrutura que disfarçava o vínculo empregatício como "parceria", pagando aos trabalhadores apenas R$ 120 por semana, quantia que servia como salário camuflado. O grupo ficava alojado em barracos de lona perto das minas, sem acesso a água potável.

As duas operações foram coordenadas pela auditora-fiscal Gislene Stacholski, que caracterizou as situações como trabalho análogo à escravidão devido às condições degradantes e, no caso de Seabra, à jornada exaustiva. Todas as frentes de garimpo em Novo Horizonte foram imediatamente interditadas. Os trabalhadores resgatados nas duas cidades foram afastados das atividades, encaminhados para a rede de assistência social e habilitados para receber o seguro-desemprego especial, enquanto os responsáveis responderão a medidas administrativas e legais.

Brasil
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Brasil tem mais de 2,7 mil resgatados de trabalho análogo à escravidão em 2025 Foto: Secretaria de Inspeção do Trabalho

O governo federal resgatou 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão no Brasil em 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O número representa uma alta de 26,8% em relação a 2024, quando 2.186 trabalhadores foram encontrados nessas condições. O recorde, no entanto, segue sendo o de 6.025 resgates em 2007, o maior volume registrado nos 30 anos da série histórica.

Ao longo de 2025, a Secretaria realizou 1.594 ações fiscais específicas de combate ao trabalho escravo contemporâneo em todo o país. Essas operações garantiram o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias aos trabalhadores resgatados.

Ao todo, as fiscalizações alcançaram mais de 48 mil trabalhadores. Embora nem todos estivessem em condição irregular grave, eles tiveram outros direitos trabalhistas assegurados pela atuação dos auditores-fiscais em campo.

No período, foram lavrados 4.924 autos de infração, que resultaram em um valor estimado de R$ 41,8 milhões em multas aplicadas aos empregadores autuados.

As ações ocorreram em todo o território nacional, conduzidas tanto pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) quanto pelas unidades regionais do Ministério do Trabalho.

Um dos principais destaques do ano foi a mudança no perfil das ocorrências. Pela primeira vez, o número de trabalhadores resgatados no meio urbano superou o do meio rural.

Em 2025, 68% dos trabalhadores identificados em condição análoga à escravidão estavam em áreas urbanas. Em 2024, esse percentual era de 30%, evidenciando uma mudança relevante no padrão.

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