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Google exige verificação de identidade de desenvolvedores a partir de setembro no Brasil Foto: Nathana Rebouças/Unsplash

O Google confirmou que, a partir de 30 de setembro de 2026, celulares Android certificados no brasil só vão instalar aplicativos de desenvolvedores verificados pela empresa. A medida vale tanto para apps baixados fora da Play Store quanto para instalações via arquivo APK, prática conhecida como sideloading.

Segundo a companhia, o brasil integra o primeiro grupo de países a receber a exigência, ao lado de Indonésia, Singapura e Tailândia. A escolha não é aleatória: os quatro países foram apontados pelo Google como alvos frequentes de golpes digitais que usam aplicativos falsos como porta de entrada.

Para justificar a mudança, a empresa cita um dado interno: softwares maliciosos são identificados 50 vezes mais em apps não verificados pela plataforma do que naqueles com desenvolvedor confirmado. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) avaliou a novidade como um avanço na proteção dos usuários e no incentivo à responsabilização de quem publica software para Android.

Na prática, a verificação não analisa o conteúdo do aplicativo, apenas confirma a identidade de quem o produziu. O Google compara o processo a um checkpoint de aeroporto, que confirma a identidade do passageiro sem necessariamente revistar a bagagem.

Já é possível encontrar exemplos de apps que operam sob esse padrão de desenvolvedor identificado dentro da própria Play Store, onde a verificação de quem publica já é norma desde 2023. É o caso do Aviator, que ocupou a 1ª posição entre os títulos da categoria de crash games mais populares em julho de 2026 na KTO, com 15,91 % de popularidade entre os jogadores da plataforma.

Para quem distribui apps fora da Play Store, o Google criou o Android Developer Console, uma plataforma paralela dedicada a esse público. O cadastro pede nome legal, endereço, e-mail e telefone, além de documentação oficial em alguns casos. Organizações também precisam informar e verificar o site institucional.

Existem caminhos diferenciados dentro do novo sistema. Desenvolvedores profissionais que distribuem para um público amplo entram na chamada distribuição completa, com verificação obrigatória de identidade. Já estudantes, amadores e usos pessoais podem optar pela distribuição limitada, restrita a até 20 dispositivos e sem exigência de confirmação de identidade.

Para quem prefere continuar instalando aplicativos de desenvolvedores não verificados, o Google reserva um "fluxo avançado". O usuário poderá seguir com a instalação, mas o processo passa a incluir etapas extras de segurança, criadas para dar tempo e espaço suficientes para interromper eventuais tentativas de coação.

O calendário de implementação já vem sendo construído desde junho de 2026, quando o Google distribuiu o serviço de sistema responsável por verificar o registro dos desenvolvedores na maioria dos aparelhos. Em agosto, entraram em operação globalmente as contas de distribuição limitada e o fluxo avançado para usuários experientes.

A partir de 2027, a exigência deve ser expandida para todos os países e para todas as lojas de aplicativos de terceiros, segundo o cronograma divulgado pela empresa. Até lá, o brasil segue como um dos primeiros mercados do mundo a testar, na prática, o novo modelo de responsabilização de desenvolvedores Android.

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