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Macaúbas
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Macaúbas: Familiares se despedem de Dona Ambrozina, a Mãe Benza, aos 115 anos de idade Foto: WhatsApp/Achei Sudoeste

Nascida em 13 de maio de 1911, Anbrozina Conceição Santos viveu 115 anos, acompanhando as transformações de um século e construindo uma trajetória marcada pela família, pela simplicidade e pelo cuidado com o próximo. É a história de uma mulher que atravessou gerações e deixou sua marca não apenas em sua família, mas também em toda cidade de Macaúbas.

Dona Anbrozina teve sete filhos - seis mulheres e um homem. Entre eles, Otácio e Carmelita, que já partiram, e Dejanira, Durvalina, Maria, Margarida e Elza, que permanecem. Ao longo da vida, viu sua família crescer e se multiplicar, tornando-se avó, bisavó e tataravó.

Na comunidade de Boqueirãozinho, Dona Anbrozina ficou conhecida por sua atuação como parteira, ajudando muitas mulheres no momento do nascimento de seus filhos. Com suas mãos, sua coragem e seus conhecimentos, participou da chegada de inúmeras crianças ao mundo.

E foi justamente por ter estado presente em tantos nascimentos que ganhou um lugar especial no coração de muitas pessoas. Aqueles que ela ajudou a nascer passaram a chamá-la carinhosamente de “Mãe Benza”. Para muitos, ela não era apenas a parteira que esteve presente no dia do nascimento, mas alguém que passou a fazer parte de suas próprias histórias como uma segunda mãe. Assim, além dos sete filhos que teve, Dona Anbrozina deixou uma grande família de coração.

Por isso, sua partida representa uma despedida que ultrapassa os limites da família. É a despedida de uma mulher que pertence à memória de muitas famílias do Boqueirãozinho.

Dona Anbrozina faleceu nesta quinta-feira (24), às 22h40, de causas naturais. Foram 115 anos de histórias, de gerações e de vidas entrelaçadas. Uma existência que deixa marcas profundas e que continuará sendo lembrada por seus filhos, netos, bisnetos, tataranetos e por todos aqueles que tiveram suas vidas tocadas por ela.

Guanambi
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Aos 113 anos, idoso esbanja lucidez e história de vida em Guanambi Foto: Jorge Jornais

Morador do bairro Santo Antônio, em Guanambi, Jovino Caires chama a atenção da comunidade não apenas pela longevidade, mas também pela lucidez impressionante. Aos 113 anos, ele mantém a memória afiada para recordar momentos marcantes de sua trajetória e compartilhar histórias que se confundem com o próprio desenvolvimento da região.

De acordo com Jorge Jornais, apesar de se declarar com 113 anos, a carteira de identidade do idoso registra 101 anos. A diferença de 12 anos entre a idade real e a oficial é explicada pelo atraso na documentação civil: Jovino só foi registrado em 7 de junho de 1925, quando já tinha 12 anos de idade, uma prática comum nas zonas rurais do interior baiano no início do século passado.

Natural da Fazenda Jurema, no município de Caculé, Jovino mudou-se para Guanambi na década de 1950. Ao longo das décadas, atuou em diversas frentes de trabalho manual, como sapateiro, horticultor e artesão de couro e cerâmica. O empenho no trabalho ajudou a sustentar sua vasta família: ele é pai de 14 filhos e possui uma descendência que já soma quase 100 netos e bisnetos.

A trajetória de Jovino representa o retrato vivo de uma geração moldada pela simplicidade, pelo trabalho duro no sertão e pelos fortes laços familiares. Mesmo ultrapassando a marca de um século de vida, ele segue como uma fonte valiosa de memória e inspiração, testemunhando as profundas transformações sociais e urbanas vividas no interior do estado.

Ibicoara
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Aos 110 anos, idosa quilombola em Ibicoara esbanja lucidez após testemunhar duas guerras mundiais Foto: Samuel Pereira/Achei Sudoeste

Residente na comunidade remanescente quilombola de Três Capões, em Ibicoara, na Chapada Diamantina, a idosa Flomira Rosa dos Santos celebrou a marca histórica de 110 anos de idade. Testemunha ocular dos maiores acontecimentos do último século — incluindo as duas Guerras Mundiais, a pandemia de Covid-19 e surtos históricos de gripe espanhola —, a lavradora impressiona a família e a comunidade local ao manter a lucidez e uma saúde invejável.

A trajetória de dona Flomira foi construída com intenso trabalho no campo para criar os seis filhos. Órfã de mãe ainda na infância, ela enfrentou as adversidades da vida agrícola plantando culturas como arroz, feijão e milho. Hoje, matriarca de uma vasta família composta por 6 filhos, 23 netos e 31 bisnetos, a idosa orgulha-se de permanecer ativa em sua rotina, cuidando da alimentação da família e mantendo hábitos simples, como caminhar cerca de 200 metros para visitar um dos filhos.

Aos 110 anos, idosa quilombola em Ibicoara esbanja lucidez após testemunhar duas guerras mundiais Foto: Samuel Pereira/Achei Sudoeste

Em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, a aniversariante revelou que não possui diagnósticos de doenças e mantém hábitos impressionantes para a idade, como a capacidade de colocar linha em agulha sem auxílio de óculos. “Na vida, eu trabalhava em estrada, plantava arroz, feijão e milho para criar meus filhos. Cada vez eu não tenho doença nenhuma. Deus é um Pai bom”, celebrou dona Flomira.

Orgulhoso da longevidade e da clareza mental da bisavó, o estudante Samuel Pereira, de 17 anos, destacou o privilégio de conviver com a matriarca na comunidade quilombola. “Ela é uma mulher de fé, uma mulher de alegria, e ter ela com essa idade é um privilégio para mim e para minha família. Quando a gente era criança, ela cuidou da gente, e hoje a gente vai retribuir esse carinho em dobro”, concluiu o jovem.

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