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Governo usou lucros com exportação para conter preço dos combustíveis Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse, nesta sexta-feira (26), que o Brasil pôde usar receitas extraordinários obtidas com a alta na cotação do petróleo no mercado internacional para amenizar os efeitos da guerra nos postos de combustíveis.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov, Moretti afirmou que o uso dessas receitas permitiu financiar políticas que reduziram o peso da crise energética global no país, a ponto de, na comparação internacional, o Brasil ter sido um dos países menos impactados pela crise que decorreu dos conflitos entre EUA e Irã.

“Usamos essa receita extraordinária para custear uma série de ações que mitigaram o impacto da guerra para a nossa população. Quando olhamos em perspectiva internacional, hoje o Brasil é um dos países menos afetados pelos efeitos desse cenário”, declarou.

“É nesse sentido que a nossa estratégia foi bem-sucedida, e a população brasileira, de fato, teve uma redução dos efeitos dessa guerra, que não é dela, que não foi feita por ela. Portanto, não seria justo que ela pagasse por isso”, acrescentou.

Moretti disse que a estratégia foi “um sucesso”, uma vez que conseguiu repassar esses lucros extras à população.

“A verdade é que o Brasil é um exportador líquido de petróleo, e a receita, quando o petróleo sobe, também sobe. Não seria justo o Estado brasileiro, sendo sócio, ainda que indireto, dessa dinâmica, ficar mais rico enquanto a população fica mais pobre”, afirmou.

O ministro destacou que, em termos de reajustes percentuais de preços, o impacto no Brasil foi “muito mais baixo do que a média dos demais países”.

Segundo ele, após um aumento inicial no início da guerra, os preços passaram a recuar, movimento atribuído às medidas adotadas pelo governo e à dinâmica do mercado.

“A partir de determinado momento, o que os dados mostram é que houve uma redução dos preços dos combustíveis: houve um aumento inicial e, depois, os preços começaram a cair, como observamos hoje”, disse. As informações são da Agência Brasil.

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Exportações baianas têm queda de 6,1% em maio Foto: Foto: Jean Vagner/SEI

As exportações baianas atingiram US$ 815,7 milhões no mês de maio, registando o menor valor para as vendas externas do ano. O resultado foi condicionado pelo reflexo de embarques menores (-5,8%) e de preços médios também mais fracos (-0,29%), quando comparados com o mesmo mês do ano passado. Em contrapartida, as importações deram um salto expressivo de 65,9%, alcançando US$ 1,09 bilhão, puxadas fortemente pelo aumento nas compras de bens de consumo, com destaque para a forte participação de veículos elétricos chineses, num movimento de antecipação de importações face à normalização dos incentivos fiscais prevista para julho. Os dados foram analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI/Seplan) com base nos registos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A redução do volume embarcado no ano chega a 5,7%, puxada pelo refino, que só em maio reduziu a quantidade exportada em 83,1%. Esta quebra foi reflexo de paradas para manutenção e da taxação das exportações de petróleo e derivados implementada pelo governo em março para proteger o mercado interno diante da crise global do produto após a guerra no Irã, num momento de crescente procura de combustível fóssil no país. Também se verificou uma redução, em menor magnitude, nos embarques de derivados de cacau (-14,9%), produtos químicos (-8,4%) e celulose (-6,5%). Na indústria extrativa houve recuo devido à quebra nas vendas de minério de cobre e níquel, apesar do aumento das exportações de ouro, que continua com preços em alta impulsionado por tensões geopolíticas.

Por outro lado, o setor da agropecuária registou um aumento de 26,9% no valor dos embarques face ao mesmo mês do ano passado, fortemente impulsionado pelas vendas de soja. No recorte por países, as exportações para a China, principal destino dos produtos baianos, cresceram 22,1% em maio. Já para os Estados Unidos, as vendas caíram 27,8%, sendo o país superado pelo Canadá e Países Baixos. A participação norte-americana nas exportações baianas seguiu em baixa, caindo de 8% no acumulado até maio de 2025 para 6,3% em igual período deste ano, com tendência de queda acrescida devido à nova tarifa de 25% proposta pelo USTR baseada na Seção 301, que entrou em consulta pública e poderá atingir até cerca de 21% do que a Bahia exporta para os americanos.

No balanço das importações, além do crescimento nos bens de consumo, registou-se ainda um avanço expressivo de 116,3% nos bens de capital (máquinas e equipamentos) e de 20% em bens intermediários (como fertilizantes, trigo e químicos), contrapondo o recuo de 23% nas compras de combustíveis. No panorama regional global, as vendas totais para a Ásia caíram 6,8% no mês passado e para a América do Sul recuaram 45%, enquanto os fluxos para a União Europeia cresceram 3,4% e para a América do Norte subiram 0,5%.

Nos primeiros cinco meses do ano, o estado acumulou um superávit comercial de US$ 29,4 milhões. Este saldo positivo é o resultado de exportações consolidadas de US$ 4,68 bilhões (+0,8%) e de importações de US$ 4,65 bilhões (+21,1%) face ao mesmo período de 2025. A corrente de comércio global da Bahia, que representa a soma das exportações e importações, alcançou a marca de US$ 9,32 bilhões até maio, consolidando uma alta de 10%.

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Sindicombustíveis anuncia impactos negativos para economia baiana causados pela guerra no Golfo Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

O Sindicombustíveis manifestou preocupação com os efeitos do atual cenário internacional sobre o mercado de combustíveis na Bahia. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado as cotações do petróleo no mercado internacional e já provoca reflexos no Brasil.

Na Bahia, o impacto tem sido mais direto devido à política de preços da Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe. A empresa realizou reajustes nos 04 e 05 de março, os quais alcançaram o valor de R$ 0,30 a mais para a gasolina e R$ 0,80 sobre o diesel, acompanhando o movimento do mercado internacional.

Em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, Marcelo Travassos, secretário executivo do Sindicombustíveis-BA, disse que o momento mundial é delicado e interfere diretamente na economia petrolífera. “A gente se preocupa porque, há qualquer momento, sentindo-se incomodado com esse estreitamente do fornecimento de sua matéria-prima para geração de energia, a China pode começar a tomar ações e termos um conflito muito mais agravado do que já é”, afirmou.

Hoje, Travassos destacou que o agravamento na geopolítica mundial é crítico, a ponto de o barril de petróleo ter saído de 70 dólares para mais de 100 dólares. Especialistas alertam que o barril de petróleo pode chegar a 200 dólares nesse cenário. “Se a gente já teve um reflexo muito grande na Bahia na semana passada, com o aumento de 0,30 centavos na gasolina e de 0,80 centavos no diesel, imagine como será. Vai ser muito difícil”, analisou.

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