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'Vamos mudar o jeito de governar este país', diz Lula Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

No primeiro pronunciamento oficial após a confirmação de sua reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que adotará um novo modelo de gestão à frente do Palácio do Planalto. Com 100% das seções apuradas e uma soma superior a 64,2 milhões de votos — o equivalente a 51,79% dos votos válidos —, o chefe do Executivo elencou como prioridades do quarto mandato a inserção na economia digital, a expansão educacional, a modernização da saúde pública e uma atuação direta da União na área de segurança.

Falando em São Paulo, o presidente destacou que a disputa eleitoral deixou ensinamentos cruciais sobre a necessidade de aproximação com os cidadãos e adiantou uma guinada na estratégia comunicacional do governo. Após elogiar a atuação do deputado André Janones (Rede-MG) na mobilização das redes sociais ao longo da reta final da campanha, Lula anunciou que pretende estreitar o contato diário com a população por meios digitais, afirmando que não permitirá distorções ou interpretações de má-fé sobre os atos e posicionamentos de sua gestão.

No eixo do desenvolvimento tecnológico, o petista colocou a soberania digital no centro da agenda governamental. Ele defendeu a utilização da matriz energética limpa e renovável do Brasil como atrativo para a instalação de centros de dados internacionais, com a contrapartida de que parte dessas estruturas permaneça dedicada aos dados nacionais. Paralelamente, Lula sustentou a urgência de regulamentar as big techs, argumentando que crimes cibernéticos devem ser punidos com o mesmo rigor dos delitos cometidos no mundo real e criticando a atuação dessas corporações no processo democrático sem o devido recolhimento tributário.

A formação científica e a área de inteligência artificial também ganharam espaço nas diretrizes para o próximo mandato. O presidente prometeu universalizar o ensino em tempo integral até o nível médio, fortalecer o programa Pé-de-Meia e estendê-lo ao ensino superior. Para reduzir a dependência tecnológica em relação a potências como os Estados Unidos e a China, ele sinalizou um reforço no ensino de matemática e engenharias visando o desenvolvimento de uma inteligência artificial genuinamente brasileira.

Na saúde, Lula reiterou o compromisso de barrar eventuais propostas de privatização do Sistema Único de Saúde (SUS) e projetou uma ampla modernização do atendimento oncológico na rede pública. O plano inclui parcerias estruturais, como a obra do hospital inteligente vinculado à Universidade de São Paulo (USP) com recursos do Banco dos Brics, além da implementação de 15 UTIs inteligentes para agilizar diagnósticos e terapias complexas.

Ao tratar do combate à criminalidade, o presidente defendeu a federalização das ações de segurança pública, sustentando que os entes federados não têm conseguido responder de forma isolada aos desafios da área desde o arranjo estabelecido pela Constituição de 1988. Segundo ele, a intervenção e o suporte direto do governo federal serão ampliados para garantir a repressão firme ao crime e assegurar a tranquilidade da população trabalhadora.

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