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Na contramão do Brasil, Bahia amplia número de produtores orgânicos Foto: Divulgação/Lucas Gama

Enquanto o Brasil registra a primeira queda no número de produtores orgânicos desde o início da série histórica, em 2013, a Bahia aparece entre os estados que seguem expandindo a produção certificada. Dados do Observatório do Brasil Orgânico mostram que o estado ganhou 209 novas unidades produtivas em 2026, desempenho que o coloca entre os principais destaques nacionais do setor.

O avanço baiano ocorre em um cenário de retração nacional. Segundo o levantamento, o país passou de 25.178 para 23.728 unidades de produção orgânica certificadas, uma redução de 5,7%, equivalente à saída de 1.450 produtores do cadastro oficial. Trata-se da primeira diminuição registrada em 13 anos de monitoramento.

Apesar do resultado negativo no Brasil, a queda ficou concentrada principalmente no Pará e no Maranhão, estados que perderam juntos mais de 1.800 registros. De acordo com os pesquisadores, o movimento está relacionado à saída de grandes grupos de extrativistas ligados às cadeias do açaí e do babaçu, cujas certificações coletivas abrangiam centenas de produtores.

Na direção oposta, a Bahia reforçou sua posição como uma das principais forças da agricultura orgânica nacional. O crescimento foi impulsionado pela diversificação produtiva e pelo avanço de culturas como o algodão orgânico, além da expansão de modelos de certificação voltados à agricultura familiar.

O desempenho também consolida o estado entre os líderes brasileiros do setor. Atualmente, a Bahia figura entre os cinco estados com maior número de produtores orgânicos cadastrados, atrás apenas de Paraná e Rio Grande do Sul e à frente de importantes polos agrícolas do país (São Paulo e Pará).

Outro dado que chama atenção é a mudança no perfil da certificação. Pela primeira vez, os Sistemas Participativos de Garantia (SPG) superaram a certificação por auditoria em número de unidades produtivas. O modelo, bastante utilizado por pequenos agricultores organizados em associações e cooperativas, tem ganhado espaço por reduzir custos e facilitar a inserção de produtores no mercado de orgânicos.

Especialistas avaliam que os números indicam uma reorganização geográfica da produção orgânica brasileira. Enquanto estados do Norte enfrentam perdas ligadas ao extrativismo certificado, regiões do Nordeste vêm ampliando sua participação no setor e conquistando maior protagonismo na produção sustentável de alimentos e fibras.

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