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Macaúbas
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Macaúbas 194 anos: O orgulho de uma terra que abraça o futuro sem esquecer suas raízes Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

Dizem que toda cidade tem uma história, mas existem lugares que parecem ter, verdadeiramente, um coração. Um coração que o tempo esculpiu de forma única — forte como a pedra, raro como a sua cor e absolutamente impossível de passar despercebido. Celebrar os 194 anos de emancipação política de Macaúbas, neste 6 de julho, é compreender que o pertencimento a esta terra não se explica, se sente. É um sentimento que corre na água que desenha suas cachoeiras e que segue vivo nas tradições que atravessam gerações, mostrando que, embora o tempo passe, as raízes permanecem intactas no solo baiano.

A força de Macaúbas não está guardada apenas nos livros de história; ela pulsa no cotidiano, vive nas mãos de quem trabalha, no abraço acolhedor de quem recebe os visitantes e no orgulho daquele que sempre encontra um motivo para voltar. Existe uma distinção clara entre as cidades que simplesmente conhecemos e aquelas que passam a morar dentro de nós. Macaúbas pertence ao segundo grupo. Ser macaubense é carregar um pedaço dessa terra no peito, com um coração que bate forte e se orgulha de sua identidade singular.

Macaúbas 194 anos: O orgulho de uma terra que abraça o futuro sem esquecer suas raízes Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

Como mãe de municípios vizinhos que outrora integraram seu território, a cidade comemora quase dois séculos de uma trajetória construída por muitas mãos. Em meio às celebrações, o prefeito Aloísio Rebonato destacou a honra de fazer parte desta caminhada e a importância de trabalhar com dedicação por uma cidade cada vez melhor. Sendo capixaba de nascimento e macaubense de coração, o gestor ressaltou a gratidão pelo acolhimento recebido e enfatizou o respeito que se deve ter pela história local.

O aniversário de 194 anos convida a uma reflexão sobre a perenidade do município diante da efemeridade humana. Independentemente de convicções religiosas ou bandeiras políticas, os cidadãos são passageiros no tempo, mas Macaúbas permanece com sua grandeza, sua exuberância geográfica, sua riqueza hídrica e suas terras férteis. O momento é de celebração, mas também de renovação do compromisso coletivo de cuidar da terra, preservar a natureza e respeitar o próximo, garantindo que as futuras gerações recebam um legado de orgulho e prosperidade.

Brumado
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Cordelista José Walter Pires celebra aniversário de Brumado com painel histórico Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

No Aniversário de Brumado, a identidade e a memória da cidade ganharam uma homenagem especial por meio da literatura de cordel. O professor e cordelista José Walter Pires reuniu 33 títulos de sua autoria, dedicados inteiramente à história, aos personagens e às tradições locais, para montar um painel comemorativo. A iniciativa foi entregue à Secretaria de Cultura do município como um presente para a celebração da data e como um símbolo de valorização do patrimônio imaterial da região.

Ao longo de 53 anos vivendo no município, o escritor buscou registrar a essência brumadense em suas rimas, retratando desde figuras ilustres até as manifestações populares. Entre os temas que dão robustez às narrativas estão personalidades de destaque, como Monsenhor Antônio Fagundes, Newton Cardoso e Dona Rita, além do folclore regional. “Eu acho que todo escritor deve falar de Brumado, os filhos de Brumado. E isso é dedicação, isso chama identidade com a sua cidade, com o seu povo e com a sua gente. É o meu brinde modesto para esta data”, afirmou José Walter Pires em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar.

O resgate de histórias orais e lendas locais é um dos pilares do trabalho do cordelista, que busca imortalizar episódios marcantes da zona rural. Uma das narrativas de maior destaque no acervo é o conto do “bode berrador”, um animal considerado encantado que habitava o povoado de Pau da Colher e assombrava os moradores ao anoitecer. “Esse bode metia medo a todos os caatingueiros, homem, menino e mulher, porque ele berrava às seis horas da tarde na caatinga”, relembrou o autor, destacando o impacto cultural que a figura mítica exerce sobre a população camponesa.

O painel foi recebido pelo secretário de Cultura de Brumado, José Ribeiro Neves, que também integra a Academia Brumadense de Letras e Artes (Alab). O gestor destacou a importância de José Walter Pires como uma referência educacional e literária que projeta o nome do município para além das fronteiras estaduais e nacionais. Para o secretário, contar com esse acervo sistematizado é um privilégio para a comunidade, que passa a ter mais uma ferramenta acessível para compreender suas próprias raízes por meio da poesia popular.

A entrega da homenagem também reforçou os laços de afeto do escritor com a terra que adoeceu como sua. Embora não tenha nascido na cidade, o cordelista recebeu o título de cidadão brumadense pelas décadas de contribuição cultural. “Eu acho que foi uma coisa justa, porque eu fiz por merecer esse título, diante da minha identidade com a terra, que não é a minha de nascimento, mas é a que eu vivi mais tempo da minha vida”, concluiu José Walter Pires.

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