Foto: Jurema Sodré/Secti Alimento natural produzido pelas abelhas, o mel é comumente usado como fonte de energia e de alívio para tosse e dor na garganta. Para além do uso tradicional, as estudantes Elorrane Pabrine e Jamile Pereira, do Colégio Estadual do Campo de Tempo Integral Cleonice Olegário dos Santos, no município de Serra do Ramalho, localizado no Território do Velho Chico, ne região oeste da Bahia, utilizaram o mel e outros dois produtos apícolas (própolis e cera de abelha) para criar dois tipos de sabonetes e um esfoliante.
A professora Tamires Lopes, orientadora do projeto, explica que a equipe valorizou matérias-primas abundantes na região. “A ideia nasceu da observação da riqueza da apicultura local e da busca por alternativas sustentáveis no setor de beleza. Ao perceber que ingredientes como mel, cera e própolis possuem propriedades científicas valiosas (antioxidantes e cicatrizantes), decidimos agregar valor à matéria-prima, transformando-a em produtos de higiene e cuidado pessoal com base tecnológica”, diz.
Seguindo um protocolo científico que envolve pesquisa bibliográfica, formulação, testes laboratoriais e avaliação sensorial, as jovens cientistas desenvolveram sabonetes em barra, com foco em hidratação e firmeza, sabonetes líquidos, com propriedades antibacterianas e pH controlado, e esfoliantes corporais, utilizando a cera para renovação celular e proteção da barreira cutânea.
As jovens Elorrane e Jamile destacam, entusiasmadas, o compromisso com a sustentabilidade. “Nós evitamos conservantes sintéticos agressivos e nos concentramos em criar fórmulas biodegradáveis que possuem uma alta concentração de ativos naturais, todos provenientes da nossa região. Dessa forma, valorizamos a produção local de maneira inovadora, promovendo um ciclo que beneficia tanto o meio ambiente quanto a comunidade”, afirmam.
O projeto, que tem coorientação da professora Inaiara Alves e apoio dos professores Josiel Amaral e José Augusto Santos (in memoriam), tem como próximo passo a expansão do portfólio de ativos naturais, estendendo a pesquisa para outros produtos com propriedades medicinais facilmente encontrados na região. “O objetivo é criar uma linha completa de cosméticos que explore o potencial fitoterápico da flora local, unindo novos benefícios dermatológicos à base apícola já estabelecida”, diz a professora.