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'Aqui eu me sinto em casa': Targino Gondim abre o São João de Macaúbas e cobra título de cidadão Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

A abertura oficial do São João 2026 na cidade de Macaúbas contou com uma das maiores referências do forró tradicional brasileiro: o sanfoneiro Targino Gondim. O artista se apresentou no município marcando o início de sua intensa maratona junina, embalada pelo clima típico da época. Em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, o cantor celebrou o reencontro com o público baiano, afirmando que “a gente que sempre começa o São João no mês de maio, todas as prefeituras, as festas que a gente vai tocando, já tem esse sentimento. Esse cheirinho de milho, de fogueira e tudo tal, e agora a gente tá começando com o pé direito aqui em Macaúbas”.

O show na cidade integra a chamada “rota do forró” do sanfoneiro, que concilia a carreira artística com o cargo de secretário de cultura de Juazeiro, no norte da Bahia, antes de entrar em férias definitivas para se dedicar exclusivamente à estrada. A previsão é que a agenda de junho deste ano ultrapasse 27 apresentações pelas principais praças do Nordeste. De acordo com o músico, a Bahia se destaca pela capacidade de esticar as celebrações. “A agenda tá extensa. Durante esses trinta dias de junho, eu acho que deve ficar algo em torno de vinte e sete, vinte e oito shows, talvez mais. E ainda tem julho, tem outras datas em julho também, porque o São João, principalmente aqui na Bahia, ele acaba se estendendo até meados de quinze de julho”.

O cantor também comentou sobre o atual cenário de debate nacional envolvendo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), prefeitos e a necessidade de se resgatar e valorizar a prata da casa frente ao ecletismo exagerado nos palcos juninos. Gondim defendeu que as festas tradicionais mantenham o foco na cultura nordestina e na preservação da sanfona para as novas gerações. Conforme explicou, “eu continuo dizendo que falta muito, muito mesmo. É bom ter esse movimento, esse tipo de pensamento nesse, nessa condução assim, pra que todo mundo comece a se policiar. O motivo do São João foi isso, foi essa confraternização em volta de um mês tão precioso. Os clássicos todos que a gente tem, que a gente ama, estão vivos até hoje e os jovens não podem, a gente não pode permitir que os jovens não tenham acesso a isso”.

A relação estreita com a comunidade de Macaúbas e a recepção calorosa do público foram bastante elogiadas pelo artista, que aproveitou o momento para brincar sobre sua forte ligação com o município ao ser anunciado como um cidadão local pelo locutor da festa. O sanfoneiro reforçou seu carinho pela cidade, destacando que “quando eu chego aqui em Macaúbas, eu fico feliz, porque aqui eu me sinto em casa. Aqui eu sei que eu, como forrozeiro, eu posso chegar assim relaxado e dizer realmente aqui eu vou ter um baita de um povo me esperando, que vão tá dançando mesmo de verdade com gosto. Já me sinto um filho, só tá faltando o título, né? Vamos aproveitar pra cobrar o título aí”.

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Secretaria de Cultura da Bahia apoia recomendação de teto para cachês no São João Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia manifestou apoio à recomendação proposta pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e pela União dos Municípios da Bahia (UPB) referente ao teto para a contratação de atrações artísticas durante os festejos juninos. O diálogo institucional busca estabelecer um patamar equilibrado para os cachês pagos com recursos públicos no período de festas. A medida visa evitar excessos e garantir uma gestão orçamentária responsável por parte das administrações públicas locais.

A adesão a essas orientações é vista pelo governo estadual como um passo importante para assegurar uma distribuição mais justa das verbas destinadas ao entretenimento. Em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, durante o Programa de Governo Participativo (PGP), em Macaúbas, o secretário de Cultura, Bruno Monteiro, destacou que a adoção de um limite financeiro para os contratos ajuda a ampliar as oportunidades para um número maior de profissionais da música. “Nós participamos desse diálogo conduzido pela UPB, com o Ministério Público. E tivemos muita boa vontade de participarmos desse momento. Porque a gente entende que isso que é uma recomendação. Não é uma vedação, mas uma recomendação. Ajuda a democratizar mais o acesso. Porque às vezes um grande cachê milionário impede que muitos outros pequenos artistas possam participar”, analisou.

A preocupação das entidades de controle e da gestão cultural gira em torno da sustentabilidade financeira das prefeituras e da preservação do espaço de artistas que dependem exclusivamente da temporada de São João para trabalhar. Enquanto as grandes atrações nacionais possuem espaço garantido em diversos eventos de grande porte ao longo de todo o ano, os músicos regionais de forró tradicional encontram no mês de junho a sua principal vitrine e fonte de sustento.

O secretário apontou que a fixação de parâmetros de contratação funciona como um mecanismo de proteção para os trabalhadores da cultura local e para as manifestações tradicionais nordestinas, que ganham mais espaço com a otimização dos recursos. “E a gente tem que pensar também na seguinte lógica. Grandes artistas, esses que têm um cachê maior. Muitas vezes se apresentam no São João, mas se apresentam no Carnaval. Se apresentam em outras festas. E o artista do forró, do pé de serra, do trino nordestino, só tem o São João para se apresentar. Então é uma forma também de nós garantirmos a democratização desse acesso. Para que todo mundo possa fazer a sua parte, fazer o seu trabalho. E nós tenhamos um São João de valorização também dos pequenos artistas”, concluiu Bruno Monteiro.

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Bahia destina 25% da verba do São João para o forró tradicional Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

O Governo da Bahia anunciou um pacote robusto de investimentos para o ciclo junino de 2026, com uma diretriz clara de preservação das raízes nordestinas. Pelo menos 25% dos recursos destinados ao São João da Bahia, além das festas de Santo Antônio e São Pedro, deverão ser aplicados exclusivamente na valorização da identidade cultural local e na contratação de artistas de gêneros tradicionais, como o forró pé-de-serra, xaxado, baião e xote. A medida busca equilibrar as grandes produções com a manutenção do patrimônio imaterial que define a maior festa popular do estado.

Os investimentos são geridos pela Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), vinculada à Secretaria de Turismo (Setur), e somam o montante de R$ 147 milhões. Esse aporte financeiro poderá beneficiar até 416 municípios baianos, estimulando a economia regional e o fluxo de visitantes. As prefeituras interessadas em receber o apoio governamental devem ficar atentas ao prazo de inscrição, que começa nesta sexta-feira (8) e segue até o dia 12 de maio, através do portal oficial da Sufotur.

Os repasses por cidade serão proporcionais, variando entre R$ 98 mil e R$ 631 mil, para eventos realizados no período de 5 de junho a 3 de julho de 2026. Para garantir a transparência e a viabilidade dos festejos, municípios que se encontrem em situação de emergência ou calamidade pública estão impedidos de participar do certame. Além disso, a classificação das cidades levará em conta critérios técnicos como o histórico da festa na localidade, a capacidade de atração de turistas e, essencialmente, a proposta de valorização da tradição junina.

A documentação exigida para o convênio é rigorosa, sendo obrigatória a comprovação de regularidade fiscal por parte das administrações municipais. Outro ponto de atenção para os gestores diz respeito ao calendário político: devido às restrições da legislação eleitoral para o ano de 2026, todas as marcas e identificações visuais do Governo do Estado deverão ser removidas das estruturas e palcos até, no máximo, o dia 4 de julho. Com essa estrutura, a Bahia se prepara para realizar um dos maiores e mais autênticos festejos juninos da história recente.

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