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7º BBM faz alerta de segurança e prevenção aos banhistas no sertão baiano Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

Mergulhador no 7º Batalhão de Bombeiros Militar (BBM), o Sargento Marcos Cordeiro fez um importante alerta aos banhistas nesse período de verão, quando há um aumento significativo da procura por locais como rios, mares e piscinas. Alguns cuidados básicos devem ser tomados para evitar acidentes e afogamentos.

Ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, o Sargento destacou que é fundamental respeitar a natureza e não superestimar as próprias capacidades. “Diferente do que acontece nos filmes, nem sempre a pessoa consegue acenar com a mão quando está se afogando. O afogamento é rápido e silencioso”, afirmou.

Atuando como mergulhador no Corpo de Bombeiros há cerca de 6 anos, Cordeiro disse que já atendeu muitas ocorrências de afogamento, inclusive entre pessoas que, supostamente, sabiam nadar. “Saber nadar não é só se deslocar do ponto A para o ponto B. Não é só bater braço e perna, é muito mais que isso. É saber boiar ou flutuar no meio da natação se houver necessidade, é saber respeitar a força da água e os próprios limites”, ressaltou.

O afogamento acontece em diversas profundidades e em circunstâncias diferentes. O bombeiro informou que a ingestão de bebida alcoólica é um grande fator de risco. Outro dado é que os homens costumam se afogar seis vezes mais do que as mulheres. “Da mesma forma que a pessoa não deve dirigir se fizer uso de bebida alcoólica, também não deve ir pra água”, orientou.

O bombeiro do 7º BBM destacou que a vítima de afogamento precisa ser retirada da água nos primeiros segundos ou, no máximo, primeiros minutos a fim de evitar o pior. Por ano no Brasil, cerca de 16 pessoas se afogam diariamente.

Desse número, 4 afogamentos são de crianças de 1 a 4 anos. Além disso, 65% dos casos acontece em água doce.

Afogamentos de crianças e adolescentes aumentaram 50% na Bahia em 2023 Foto: Kauê Souza/Achei Sudoeste

De acordo com um levantamento divulgado pela organização Aldeias Infantis SOS, com base em dados do DataSUS, houve um aumento de 50% no número de afogamentos no estado em 2023, quando comparado ao ano anterior. É o aumento mais expressivo entre as causas de acidentes analisadas pela pesquisa. Segundo o Major Francisco Duarte, comandante do Batalhão Marítimo do Corpo de Bombeiros, o afogamento lidera entre as causas de morte de crianças entre 0 e 4 anos, matando mais que arboviroses como dengue e zika, e acidentes de trânsito. Em crianças de 5 a 8 anos, cai um pouco, mas continua entre as três primeiras causas, e de 10 a 13, entre as cinco principais. “O afogamento para as crianças é muito perigoso, pois é rápido e silencioso, e geralmente acontece em um ambiente de descontração, onde as pessoas estão relaxadas e, muitas vezes, ingerindo bebida alcoólica, falhando na supervisão”, diz. Para manter as crianças seguras, o Major Duarte aconselha, antes de tudo, que haja supervisão a todo o tempo. “Precisamos entender que quando levamos a criança para ambientes como praia e piscina, a diversão naquele momento é da criança. O adulto deve supervisionar o tempo inteiro. O afogamento é rápido e silencioso”, indica. Além disso, manter as crianças em locais em que a água não atinja a altura do umbigo e nunca deixar que elas tomem banho em locais desconhecidos ou sem supervisão. É importante também, sempre que possível, ensinar a criança a nadar e a reconhecer os riscos. “A natação não deve ser considerada apenas um esporte, mas uma habilidade de sobrevivência. Da mesma forma que ensinamos às crianças os cuidados ao atravessar uma rua desde pequena, olhar para os dois lados, não correr na pista, entre outras coisas que ensinamos, a natação deve ser uma delas”, complementa Duarte. Ao presenciar uma criança ou adolescente se afogando, por sua vez, a primeira coisa a fazer é chamar por ajuda, diz Duarte. Após isso, o ideal é oferecer um objeto flutuante e, acima de tudo, nunca se aventurar em um salvamento corpo a corpo, uma vez que a tendência do afogado é se segurar e tentar subir em quem tenta ajudar. “Nesses casos, se não for um profissional, certamente teremos duas vítimas. Então sempre ofereça um objeto, [como] uma corda, uma boia, uma vara, qualquer coisa que possa puxar ou ajudar a pessoa a flutuar. É muito comum termos múltiplas vítimas em afogamento por causa dessa angústia”, diz.

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