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Brumado inicia planejamento para o Dia Municipal das Religiões de Matrizes Africanas Foto: Divulgação/PMB

Em um passo importante para a valorização da diversidade cultural e religiosa local, representantes da Prefeitura de Brumado e lideranças dos povos de religiões de matrizes africanas se reuniram, na última quarta-feira (17), para alinhar as ações voltadas ao Dia Municipal das Religiões de Matrizes Africanas, Tradições e Nações do Candomblé. A data, celebrada oficialmente em 21 de junho, pauta o respeito à ancestralidade e a resistência dessas comunidades no município.

O encontro de articulação reuniu figuras do primeiro escalão do governo municipal, como o chefe de gabinete, Castilho Viana, o secretário de Cultura, Esporte e Lazer, José Ribeiro, e o diretor de Cultura, Paulo Esdras, além de diversos representantes dos terreiros locais. O principal objetivo do diálogo foi estabelecer uma ponte sólida e colaborativa para dar início ao planejamento das celebrações da data para o próximo ano, fortalecendo o espaço e o reconhecimento dessas tradições em Brumado.

Como desdobramento prático da reunião, ficou definido que a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (SECULT) assumirá a responsabilidade de realizar um mapeamento detalhado de todos os terreiros existentes na cidade. Em contrapartida, as lideranças religiosas do município vão estruturar um projeto coletivo com propostas de ações e atividades voltadas para a celebração da data em 2027, garantindo o protagonismo dos povos tradicionais na construção do calendário oficial.

A iniciativa marca um avanço institucional significativo e reforça o compromisso do poder público com o combate à intolerância religiosa. Ao abrir as portas para o planejamento conjunto, a gestão municipal reafirma o respeito à pluralidade, à salvaguarda do patrimônio imaterial e à valorização das diferentes manifestações religiosas que compõem a identidade cultural e a história do povo brumadense.

Brumado
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Cordelista José Walter Pires celebra aniversário de Brumado com painel histórico Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

No Aniversário de Brumado, a identidade e a memória da cidade ganharam uma homenagem especial por meio da literatura de cordel. O professor e cordelista José Walter Pires reuniu 33 títulos de sua autoria, dedicados inteiramente à história, aos personagens e às tradições locais, para montar um painel comemorativo. A iniciativa foi entregue à Secretaria de Cultura do município como um presente para a celebração da data e como um símbolo de valorização do patrimônio imaterial da região.

Ao longo de 53 anos vivendo no município, o escritor buscou registrar a essência brumadense em suas rimas, retratando desde figuras ilustres até as manifestações populares. Entre os temas que dão robustez às narrativas estão personalidades de destaque, como Monsenhor Antônio Fagundes, Newton Cardoso e Dona Rita, além do folclore regional. “Eu acho que todo escritor deve falar de Brumado, os filhos de Brumado. E isso é dedicação, isso chama identidade com a sua cidade, com o seu povo e com a sua gente. É o meu brinde modesto para esta data”, afirmou José Walter Pires em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar.

O resgate de histórias orais e lendas locais é um dos pilares do trabalho do cordelista, que busca imortalizar episódios marcantes da zona rural. Uma das narrativas de maior destaque no acervo é o conto do “bode berrador”, um animal considerado encantado que habitava o povoado de Pau da Colher e assombrava os moradores ao anoitecer. “Esse bode metia medo a todos os caatingueiros, homem, menino e mulher, porque ele berrava às seis horas da tarde na caatinga”, relembrou o autor, destacando o impacto cultural que a figura mítica exerce sobre a população camponesa.

O painel foi recebido pelo secretário de Cultura de Brumado, José Ribeiro Neves, que também integra a Academia Brumadense de Letras e Artes (Alab). O gestor destacou a importância de José Walter Pires como uma referência educacional e literária que projeta o nome do município para além das fronteiras estaduais e nacionais. Para o secretário, contar com esse acervo sistematizado é um privilégio para a comunidade, que passa a ter mais uma ferramenta acessível para compreender suas próprias raízes por meio da poesia popular.

A entrega da homenagem também reforçou os laços de afeto do escritor com a terra que adoeceu como sua. Embora não tenha nascido na cidade, o cordelista recebeu o título de cidadão brumadense pelas décadas de contribuição cultural. “Eu acho que foi uma coisa justa, porque eu fiz por merecer esse título, diante da minha identidade com a terra, que não é a minha de nascimento, mas é a que eu vivi mais tempo da minha vida”, concluiu José Walter Pires.

Bahia
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Bahia destina 25% da verba do São João para o forró tradicional Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

O Governo da Bahia anunciou um pacote robusto de investimentos para o ciclo junino de 2026, com uma diretriz clara de preservação das raízes nordestinas. Pelo menos 25% dos recursos destinados ao São João da Bahia, além das festas de Santo Antônio e São Pedro, deverão ser aplicados exclusivamente na valorização da identidade cultural local e na contratação de artistas de gêneros tradicionais, como o forró pé-de-serra, xaxado, baião e xote. A medida busca equilibrar as grandes produções com a manutenção do patrimônio imaterial que define a maior festa popular do estado.

Os investimentos são geridos pela Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), vinculada à Secretaria de Turismo (Setur), e somam o montante de R$ 147 milhões. Esse aporte financeiro poderá beneficiar até 416 municípios baianos, estimulando a economia regional e o fluxo de visitantes. As prefeituras interessadas em receber o apoio governamental devem ficar atentas ao prazo de inscrição, que começa nesta sexta-feira (8) e segue até o dia 12 de maio, através do portal oficial da Sufotur.

Os repasses por cidade serão proporcionais, variando entre R$ 98 mil e R$ 631 mil, para eventos realizados no período de 5 de junho a 3 de julho de 2026. Para garantir a transparência e a viabilidade dos festejos, municípios que se encontrem em situação de emergência ou calamidade pública estão impedidos de participar do certame. Além disso, a classificação das cidades levará em conta critérios técnicos como o histórico da festa na localidade, a capacidade de atração de turistas e, essencialmente, a proposta de valorização da tradição junina.

A documentação exigida para o convênio é rigorosa, sendo obrigatória a comprovação de regularidade fiscal por parte das administrações municipais. Outro ponto de atenção para os gestores diz respeito ao calendário político: devido às restrições da legislação eleitoral para o ano de 2026, todas as marcas e identificações visuais do Governo do Estado deverão ser removidas das estruturas e palcos até, no máximo, o dia 4 de julho. Com essa estrutura, a Bahia se prepara para realizar um dos maiores e mais autênticos festejos juninos da história recente.

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