Brumado

Protesto em Brumado exige atendimento humanizado e apuração sobre a morte de Gabriel Teixeira

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Protesto em Brumado exige atendimento humanizado e apuração sobre a morte de Gabriel Teixeira Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

Familiares e amigos de Gabriel Teixeira da Silva, 24 anos, jovem que veio a óbito após dar entrada sucessivas vezes no Hospital Municipal de Brumado realizaram uma manifestação na manhã deste sábado (22). O protesto reuniu a comunidade em um clamor por justiça, apuração de eventuais falhas médicas e a implementação de um atendimento humanizado na rede pública de saúde.

Segundo relatos da família, Gabriel buscou socorro médico três vezes antes de seu quadro se agravar letalmente. Em entrevista ao site Achei Sudoeste e ao Programa Achei Sudoeste no Ar, a irmã do jovem, Bianca Teixeira, afirma que o paciente enfrentou reiteradas omissões durante a assistência prestada na unidade. “Gabriel deu entrada no hospital três vezes. E não foi por falta dele querer buscar melhorias, porque ele esteve naquele hospital e lutou para se sentir melhor, para que tivesse um diagnóstico e tomasse os medicamentos corretos. A gente viu que, de uma forma ou de outra, foi negligenciado. Meu irmão sofreu muito ali dentro, e junto com ele, a família também”, declarou Bianca.

Além da falta de um diagnóstico definitivo nos primeiros atendimentos, a família relata episódios de hostilidade por parte da equipe de enfermagem enquanto o jovem permanecia debilitado, inclusive na ala de emergência. “Gabriel foi motivo de chacota por algumas pessoas lá dentro. Teve enfermeira que chegou a falar que ele estava dando trabalho porque não conseguia se levantar da maca devido à dor intensa na costela. Teve o caso de uma virar para a minha mãe e falar que ele estava ‘dando piti’. Nenhum paciente deveria ser tratado dessa forma. Se procura o atendimento, é porque realmente está precisando”, pontuou a irmã.

Os parentes denunciam ainda restrições severas ao acompanhamento familiar, mesmo quando o jovem já não apresentava autonomia para realizar atividades básicas. Conforme o depoimento, a mãe de Gabriel teve pedidos negados para auxiliar na alimentação do filho, que também enfrentava dificuldades para obter auxílio básico durante a internação. “Ele não conseguia comer sozinho. Minha mãe implorava para a assistente social para entrar no horário do almoço e dar comida, mas não deixavam. Meu irmão implorava por um banho quente e água. Ele chegava a bater na quina de ferro da cama para chamar alguém, porque não ficava acompanhamento o tempo todo como dizem que fica”, relatou Bianca.

A manifestação busca chamar a atenção das autoridades de saúde para a necessidade de protocolos diagnósticos mais rigorosos e a humanização das condutas profissionais. “A gente quer justiça e um hospital melhor, com médicos competentes que saibam dar o diagnóstico no momento em que o paciente entra, fazendo os exames necessários em vez de apenas medicar para dor e mandar para casa. É o nosso direito ter uma saúde digna e a gente vai até o fim”, concluiu a irmã do jovem.

Protesto em Brumado exige atendimento humanizado e apuração sobre a morte de Gabriel Teixeira Foto: Lay Amorim/Achei Sudoeste

A mãe de Gabriel, Vanusa Teixeira, também prestou depoimento durante o protesto e reforçou que as falhas no atendimento começaram logo nas primeiras consultas, quando o jovem recebia alta sem a devida apuração do seu quadro de saúde. “Desde o primeiro momento que ele entrou ali, nunca deram um diagnóstico certo. O médico falou que ele estava com desconforto abdominal e mandou para casa. Tornou a sentir mal e mandaram para casa de novo. Quando o Samu o buscou e fizeram exames, constataram que ele estava com pneumonia, mas, mesmo assim, mandaram para casa”, relatou Vanusa.

Conforme o relato da mãe, quando o quadro evoluiu para uma severa falta de ar e o jovem deu entrada na sala vermelha com sinais de cianose, as queixas continuaram sendo desacreditadas pela equipe médica. “A gente via a falta de ar e as dores, mas eles falavam que as dores eram pela posição de estar sempre deitado e que a falta de ar era mais ansiedade pelo que ele estava passando”, afirmou.

O histórico de irregularidades se estendeu até a transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde o próprio paciente relatou à família episódios de desassistência e falhas em procedimentos básicos. “Ele falou: 'mãe, estou temendo pela minha vida aqui'. Uma profissional derramou o remédio do nebulizador nele e esqueceu de ligar o antibiótico. Como ele não conseguia falar, ficava batendo a mão, até que outra enfermeira veio e viu que o antibiótico não estava ligado. Em outra noite, ele dormiu com fome porque a sopa veio com um cabelo, ele pediu para trocar e não trocaram”, detalhou a mãe.

A dor e o trauma da perda geraram um sentimento de insegurança generalizado na família e nos moradores locais. Vanusa concluiu reafirmando o caráter social da mobilização. “Não é política, é pedido de socorro pelo hospital de Brumado. A maioria da população tem medo de procurar o hospital pelo atendimento, por não ter médicos competentes para chegar lá e dar o diagnóstico correto. O que eu espero é que invistam mais na saúde, no treinamento de pessoas para cuidar por amor ao próximo e em mais equipamentos, para que a população vá ao hospital e se sinta segura”, finalizou.

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