Foto: Divulgação O perigo pode estar escondido debaixo de uma telha, em um monte de entulho, dentro de um sapato ou até no ralo de casa. Animais peçonhentos deixaram de representar um risco restrito às áreas rurais e se tornaram uma preocupação cada vez mais presente nos centros urbanos. O avanço dos acidentes registrados em todo o país também se reflete na Bahia, onde o número de ocorrências aumentou 11,8% entre 2024 e 2025, reforçando o alerta das autoridades de saúde.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram que o estado contabilizou 38.321 acidentes em 2025, contra 34.277 no ano anterior. O crescimento acompanha a tendência nacional. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 225 mil acidentes envolvendo animais peçonhentos em 2025, com 265 mortes: o dobro do total registrado no ano anterior.
O principal responsável por essa escalada continua sendo o escorpião. Somente esse tipo de acidente respondeu por 27.575 notificações em 2025, um aumento de 11,1% em relação aos 24.826 casos registrados no ano anterior. Em outras palavras, aproximadamente sete em cada dez vítimas atendidas por acidentes com animais peçonhentos foram picadas por escorpiões.
Os demais grupos também apresentaram crescimento. Os acidentes provocados por abelhas passaram de 2.726 para 3.253 registros, alta de 19,3%. As ocorrências envolvendo aranhas aumentaram de 1.411 para 1.550 casos, enquanto os acidentes com lagartas cresceram 39,2%, passando de 268 para 373 notificações. A maior elevação proporcional ocorreu na categoria “Outros”, que saltou de 1.127 para 1.749 registros, um avanço de 55,2%. Apenas os acidentes com serpentes apresentaram redução, passando de 3.245 para 3.160 casos.
O cenário confirma uma mudança observada há alguns anos pelos serviços de vigilância epidemiológica. Se antes as serpentes concentravam grande parte das notificações, hoje os escorpiões dominam as estatísticas, impulsionados principalmente pela facilidade de adaptação ao ambiente urbano. Redes de esgoto, terrenos abandonados, acúmulo de lixo, restos de construção e a proliferação de baratas, principal alimento desses animais, criam condições ideais para sua reprodução.
As aranhas também permanecem sob vigilância. Embora representem um número menor de acidentes, o Ministério da Saúde aponta que elas já ocupam a segunda posição entre os animais peçonhentos que mais provocam envenenamentos no país. A Bahia está entre os estados com maior número de notificações envolvendo esses aracnídeos, ao lado de Minas Gerais, São Paulo e Pernambuco.
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