Entre 2000 e 2006, o crescimento composto foi de aproximadamente 16,5% ao ano. Entre 2007 e 2024, tomando os pontos publicados como referência, cerca de 2,8% ao ano. O ritmo observado nos últimos seis anos do ciclo carlista foi, portanto, quase seis vezes superior.
Um exercício matemático ajuda a dimensionar o que isso significa: se o ritmo de crescimento verificado entre 2000 e 2006 tivesse simplesmente prosseguido, a taxa chegaria em 2024 a aproximadamente 367 homicídios por 100 mil habitantes.
Evidentemente, não se afirma que isso aconteceria. Trata-se de uma projeção hipotética, não de previsão. Sua utilidade é apenas revelar o tamanho da aceleração que estava em curso quando aquele ciclo político terminou.
Há também o dado do presente.
O Atlas da Violência 2026 registra para aBahia45,8 homicídios por 100 mil habitantes em 2022, 44,7 em 2023 e 40,9 em 2024. De 2023 para 2024, já integralmente no governo Jerônimo, a queda foi de 8,5%. Tomando 2022 como referência anterior à atual gestão e 2024 como último dado consolidado, a redução é de aproximadamente 10,7%.
Isso resolve a segurança pública daBahia? Evidentemente, não. Uma taxa de 40,9 continua grave e exige cobrança. Mas uma coisa é o patamar; outra é a direção da curva. Os dados consolidados mais recentes registram redução.
É justamente por isso que 2007 não pode servir como marco zero dessa discussão. O governo que assumiu naquele ano encontrou uma taxa de homicídios que havia crescido aproximadamente 150% nos seis anos anteriores, enquanto o indicador nacional permanecia praticamente estável.
Quem pretende utilizar aquele período como referência de segurança pública precisa enfrentar essa herança estatística, não apenas a memória construída sobre ela.
Cobrar o presente é obrigação. Examinar o passado com a mesma severidade também.
Samuel Milhazes - advogado
FONTES:
Mapa da Violência 2012 - Os Novos Padrões da Violência Homicida noBrasil, de Julio Jacobo Waiselfisz, elaborado com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério daSaúde.
Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério daSaúde.
Secretaria daSaúdedo Estado daBahia(Sesab) - publicações técnicas sobre a qualidade dos registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade e a evolução das causas mal definidas naBahia.