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Flávio Bolsonaro é intimado pela PF a entregar passaporte

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Flávio Bolsonaro é intimado pela PF a entregar passaporte Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas e proibiu o parlamentar de deixar o país. A decisão, cumprida nesta segunda-feira (26), também veda qualquer contato entre o senador e o advogado Willer Tomaz, apontado como seu aliado e investigado conjuntamente em um esquema suspeito de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas.

A intimação ocorreu em via pública no Lago Sul, em Brasília, logo após o senador deixar sua residência em direção à casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar criticou a abordagem e classificou a medida como uma tentativa de intimidação política decorrente do resultado eleitoral. Flávio afirmou que a ordem judicial se apoiou em declarações dadas na última sexta-feira por seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que havia defendido publicamente que o senador deixasse o Brasil caso fosse derrotado nas urnas.

O despacho insere-se no inquérito relatado por Moraes que apura transações financeiras ilícitas operadas por meio de empresas de apostas esportivas e intermediadoras de pagamento ligadas a Tomaz, que está fora do Brasil desde agosto. O caso teve origem em investigações da PF no Rio Grande do Sul e subiu ao STF após a identificação de indícios envolvendo o senador, detentor de prerrogativa de foro.

Na última sexta-feira, o magistrado já havia decretado o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e ativos vinculados a Willer Tomaz, além de determinar a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e cambial e a suspensão das atividades econômicas de companhias a ele associadas. Relatórios da Polícia Federal apontam que Flávio figurava com perfil de acesso “máster” em uma conta bancária da offshore Alcazar Holdings, controlada por Tomaz, além de rastrearem movimentações de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025.

Flávio Bolsonaro responde ainda a uma segunda apuração no Supremo, voltada ao modelo de financiamento do filme Dark Horse, produção audiovisual sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Em manifestações públicas, o senador e a defesa de Willer Tomaz negam quaisquer irregularidades financeiras ou societárias mútuas, sustentando que mantêm apenas vínculo de amizade pessoal e classificando as medidas cautelares como desproporcionais.

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